04 novembro 2010

Sudeste da Amazônia pode virar savana se estiagens persistirem, alerta pesquisa

Esse poderá ser o cenário-padrão amazônico.
Uma sucessão de secas como a de 2010 seria capaz de transformar a porção sudeste da Amazônia em savana. A conclusão é de uma dupla de pesquisadores do Brasil e da Colômbia, que calculou pela primeira vez qual é a redução na quantidade de chuvas necessária para desestabilizar a floresta.

Como tudo o mais que envolve efeitos do aquecimento global sobre os ecossistemas, a conta não é simples e envolve várias interações. Mas Luis Fernando Salazar, da Universidade Industrial de Santander (na Colômbia), e Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), estimam que reduções de precipitação de 35% no sudeste da Amazônia e de 40% no nordeste bastariam para ampliar a estação seca (o "verão" amazônico) para quatro meses, transformando a vegetação em savana.

Num cenário futuro de aquecimento da Terra, no qual as temperaturas médias amazônicas subissem 4ºC, tal redução de chuvas é perfeitamente plausível. Basta lembrar que as secas prolongadas de 2005 e deste ano viram reduções tão grandes ou maiores do que essas. "É como se no futuro o que aconteceu neste ano de 2010 passe a ser o padrão", disse Nobre à Folha.

EFEITO CO2
O gás carbônico, como qualquer criança sabe, é fundamental para a fotossíntese. Ao mesmo tempo em que ajudam a esquentar o planeta, as emissões humanas do gás fertilizam as plantas.

O problema, conta Nobre, é que ninguém sabe qual é o efeito de fertilização do gás sobre a floresta amazônica."O ponto de não-retorno depende do efeito de fertilização", diz o pesquisador. "E os dados não nos permitem dizer que seja zero."

Ele e Salazar, então, montaram três cenários de resposta da floresta: um com zero fertilização, outro no qual o efeito é 100% (também improvável) e um intermediário, com fertilização de 25%.
No cenário intermediário, o aumento de temperatura de 4ºC e uma redução de 35% nas chuvas transformariam todo o sudeste amazônico numa savana empobrecida.

O efeito é máximo no sudeste (sul do Pará, Tocantins e Mato Grosso) e mínimo no noroeste (Amazonas). "Lá chove quatro metros por ano, se cair para dois metros ainda dá para sustentar uma floresta", diz Carlos Nobre.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/824658-sudeste-da-amazonia-pode-virar-savana-se-estiagens-persistirem-alerta-pesquisa.shtml

01 novembro 2010

Sem caça, índio krahô quer ser vaqueiro

Tribo Krahô.
Quando os caciques Krahô escolheram o nordeste do estado do Tocantins para se fixarem, a abundância relativa à população de animais silvestres foi o quesito mais importante na demarcação dos 302 mil hectares que compreende a Terra Indígena Kraolândia – localizada nos municípios de Goiatins e Itacajá (TO). Naquela época, a população não chegava a mil índios e a fartura de caça garantia a segurança alimentar deste povo. 

Hoje, 70 anos depois, cerca de três mil índios vivem em 26 aldeias espalhadas na reserva. Em tempos de seca, as tradicionais caçadas só são revividas nas histórias contadas pelos anciãos.  O desmatamento ao redor da área e o choque entre as aldeias por conta das regiões delimitadas para a caça e a alta taxa de natalidade  – em 1989 eram 1.198 índios (Funasa) – resultaram no declínio de animais silvestres. Com a caça cada vez mais rara, os índios discutem a possibilidade de introduzir a criação de gado “curraleiro” e outras espécies que garantam o alimento nas comunidades. De grandes caçadores, um sonho antigo renasce entre os krahô: o de serem vaqueiros.


Nos últimos anos, o desmatamento ao redor da reserva para pastagem e plantações de soja e milho encurralou os animais silvestres, que encontraram na Kraolândia o verdadeiro “Jardim do Éden”. A fuga da fauna assegurou tempos de fartura para os krahô, mas hoje, mesmo com um local seguro para a reprodução, as espécies que ainda povoam a região não são suficientes para o consumo das famílias.

Animais na lista de extinção como o tamanduá-bandeira e a arara-azul são iguarias raras, que quando encontradas não escampam do cardápio. A paca, a anta, a capivara, o veado mateiro, o quati, o macaco guariba, a raposa e a cutia e aves como a seriema, o perdiz, o tucano, o gavião e a ema também fazem parte da dieta dos índios.

Fonte: http://www.oeco.com.br/reportagens/24502-sem-caca-silvestre-indio-kraho-quer-ser-vaqueiro

Sorrisos em Nagoya

COP10, Nagoya, Japão
Terminou com final feliz a COP10 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas, que aconteceu em Nagoya, no Japão. Depois de duas semanas de discussões com representantes de 193 nações, se os resultados alcançados não foram os melhores, chegou-se ao possível. Assim interpretou a delegação brasileira. Sair satisfeito deste tipo de reunião sobre assuntos ambientais tem sido tão raro ultimamete – a exemplo da expectativas frustradas na COP15 sobre mudanças climáticas em Copenhague, em 2009 -- que o Protocolo de Nagoya, documento resultante das negociações no Japão, já tem sido chamado de protocolo mais importante do mundo desde Kyoto, em 1997.

A delegação brasileira teve motivos de sobra para sair satisfeita, ao ser peça-chave nas negociações para conseguir a aprovação de um Protocolo sobre Acesso e Repartição de Benefícios dos Recursos Genéticos da Biodiversidade (ABS, na sigla em inglês). Este documento estabelece normas para usufruto dos recursos genéticos oriundos da biodiversidade, o que poderá incentivar mais pesquisas sobre biodiversidade, valorizar e beneficiar diretamente populações tradicionais (que terão direito a receber parte dos recursos financeiros gerados pela comercialização de determinado produto da biodiversidade) e ser um instrumento a mais para combater a biopirataria. Agora, se algum país quiser explorar os recursos da biodiversidade em território estrangeiro, terá que pedir autorizações expressas para tal. Esta foi considerada uma vitória aguardada há quase 20 anos, desde a Eco-92, no Rio.


Os países signatários da CDB resolveram tentar novamente estabelecer um plano de metas para conservação da biodiversidade no mundo (2011-2020), apesar dos ruins resultados apresentados por cada nação nos últimos anos. Mas, desta vez, para que as metas tenham condições reais de serem atingidas, um desses mecanismos será diminuir subsídios a atividades que degradam a biodiversidade.

A meta para conservação em áreas protegidas terrestres passou de 10 para 17% no mundo e em ambientes marinhos 10%, o que representa um avanço considerável, já que a taxa atual de conservação nos oceanos é hoje de apenas 1% dos mares. Os governos também se comprometeram a recuperar pelo menos 15% de suas áreas degradadas. Esses números deverão servir de inspiração para que cada país consiga proteger seus biomas.  
(Andreia Fanzeres)

Fonte: http://www.oeco.com.br/2010-ano-biodiversidade/24518-sorrisos-em-nagoya 

Após eleições, Código Florestal na berlinda

Nossos queridos deputados ruralistas.
Para o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), que votou contra o texto de Aldo Rebelo, a discussão do Código Florestal foi contaminada pelo período eleitoral, e responsabilizou a omissão dos grandes partidos como PT e PSDB pela aprovação do relatório. “Estes partidos em nenhum momento assumiram uma posição clara diante desse gravíssimo retrocesso que estava sendo articulado há meses na Câmara, e agora vamos tentar barrar a sua votação no Plenário”.

Sarney Filho acredita que com o compromisso assumido pelos dois candidatos à presidência, o novo Código será discutido com maior profundidade para impedir retrocesso na legislação ambiental, sendo assim, não deve ser votado este ano.

É certo que em ano eleitoral os políticos evitam se envolver com questões polêmicas, porém, no caso do Código Florestal, essa falta de posicionamento resultou na aprovação de um texto, no mínimo, preocupante, já que permite a legalização de desmatamentos irregulares em áreas de proteção permanente (APPs) e em reservas legais nas propriedades de até quatro módulos fiscais. Propõe também uma moratória do desmatamento por cinco anos, mas anistia quem agiu em desacordo com a lei vigente.

Esse é sem dúvida um dos pontos mais criticados no projeto. “Pelo novo Código quem desmatou áreas proibidas fica desobrigado de recuperar. Aquelas áreas já desmatadas que oferecem riscos à sociedade, como por exemplo, áreas de encostas, não seriam mais recuperadas. A anistia de multas, você pode até perdoar em função da recuperação da área degradada, mas o projeto perdoa o desmatamento e desobriga a recuperação. É inclusive um incentivo ao desrespeito à lei, porque para frente outros perdões podem vir”, destaca Raul Vale, assessor jurídico do Instituto Socioambiental (ISA).

Nilo D'Ávila, coordenador de políticas públicas do Greenpeace, lembra que no governo Lula foram implementadas as restrições de crédito para quem pratica ilícito ambiental. Porém, com a anistia, todos estariam liberados para receber financiamentos, independentemente de ter cumprido, ou não, a legislação ambiental.  “Ele anistia todo mundo que desmatou até agosto de 2008. Anistia ampla e irrestrita, tanto criminalmente como civilmente. Eu acho que a conta financeira pode até anistiar, agora não dá para anistiar o passivo no chão, o desmatamento, a necessidade de recuperar a APP, a necessidade de recuperar a reserva legal,” ressalta D`Ávila.

Para Nilo D`Ávila, a moratória proposta no Código é um paleativo que não resolve o problema ambiental. “Nós não precisamos de moratória, nós precisamos de política de desmatamento zero. Nós temos pelo menos 60 milhões de hectares de áreas já com abertura de florestas, de áreas já convertidas e que hoje estão com subprodução ou abandonadas. Toda área de produção de grãos do Brasil está em 32 milhões de hectares, então nós poderíamos com essa área já existente dobrar a produção. Ele ressalta, no entanto, que para aumentar a produção tem haver demanda, financiamento para aquisição de máquinas, e não apenas a terra.



Fonte: http://www.oeco.com.br/reportagens/24519-apos-eleicoes-codigo-florestal-na-berlinda

Brasil tem mais de 70 grupos indígenas isolados, aponta Funai


O Brasil tem 76 grupos indígenas vivendo em situação de isolamento ou contatados pela primeira vez recentemente. Ao menos 28 tribos isoladas já foram confirmadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), mas o órgão ainda estuda mais de 40 pontos em que há possibilidade de encontrar povos isolados.

A informação é do historiador Elias Bigio, responsável pela Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai, que apresentou nesta quarta-feira (27), em São Paulo, a versão mais atualizada do mapa que indica a localização dos isolados.

Segundo Bigio, 6 povos foram contatados pela primeira vez recentemente. É o caso dos Piripikura, em Mato Grosso, dos Akunt'su e dos Kanoê, em Rondônia, dos Korubo e dos Suruwaha, no Amazonas, e dos Zoé, no Pará.

Apesar da confirmação desses povos, desde a década de 1980 a política da Funai é de não fazer mais contato com tribos isoladas, ao contrário do que ocorreu em toda a história brasileira. "Há povos que não querem contato ou só querem poucos recursos. Hoje o trabalho é de identificação, sendo que é possível demarcar uma terra indígena sem contatar as tribos", diz Bigio.

Memórias sertanistas
Elias Bigio veio a São Paulo para prestigiar um encontro tido como histórico por organizadores e participantes. Trata-se da reunião, na capital paulista, de sertanistas que vivem há anos em diversas áreas da Amazônia e se aventuram em expedições que duram dias no meio da selva, trabalhando na linha de frente para tentar compreender a geografia e a cultura dos índios isolados.

Para relembrar algumas histórias de contatos com indígenas, o evento reúne sertanistas como Afonso Alves da Silva e José Carlos Meirelles, que já chegaram a ser atacados com arco e flecha, e antropólogos como Betty Mindlin, Carmem Junqueira e Mércio Gomes, ex-presidente da Funai. A programação gratuita segue até o fim desta quinta-feira (28) no Sesc Consolação.

Fonte: http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1626736-16052,00-BRASIL+TEM+MAIS+DE+GRUPOS+INDIGENAS+ISOLADOS+APONTA+FUNAI.html

26 outubro 2010

Os intelectuais e a política


Marilena Chauí, última a tomar a palavra no encontro, ganhou aplausos ao elogiar o Bolsa Família e o programa Luz Para Todos. "Este governo mudou a direção do olhar do Brasil", afirmou. Chauí destacou ainda a importância do papel que a mulher ganhou com os programas sociais do governo Lula, assim como o peso da possível eleição de uma mulher para a Presidência num "país machista e sexista em todas as classes sociais".

A pensadora não poupou a oposição de ataques. "A campanha tucana partiu do deboche que era no primeiro turno para a obscenidade no segundo", disse, em referência à abordagem de questões religiosas com a distribuição de santinhos em que JOsé Serra "garantiria" a verdade de Jesus Cristo. "Como se Jesus precisasse de Serra", brincou.

Chauí foi enfática ao classificar o uso da religião como "um desrespeito do sagrado e do ecumenismo", destacando que a república deve ser laica. Ao encerrar seu discurso, a filósofa disse ainda que a campanha tucana é "uma afronta, um escárnio" à memória de quem viveu sob a ditadura e foi ovacionada de pé ao dizer que "nossa geração viu Mandela ser eleito presidente da África do Sul, um índio ser eleito na Bolívia, um operário, no Brasil e verá uma mulher na Presidência".

A fala de Alfredo Bosi, também uma das mais aguardadas da noite, já havia arrancado aplausos da plateia. O intelectual fez duras críticas à imprensa, que chamou de "marrom de papel couché" e formada por "estranhos paladinos da democracia". Ao falar das críticas à candidata
petista, comparou a campanha e a ditadura. "Dilma pagou duas vezes por sua luta contra a opressão. Primeiro, contra a ditatura. Agora, contra marqueteiros venais".

Bosi foi interrompido pelas palmas ao chamar de "oportunista" a teoria sociológica da dependência, da qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um dos maiores expoentes. Bosi, que também criticou o uso da religião na campanha, encerrou sua participação atacando os liberais que se precipitam para a direita em busca de seus interesses.

Matéria: http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/10/25/ato-pro-dilma-reune-intelectuais-na-usp.jhtm

Kuroshio Sea

Filmes da Montanha

Mont-Blanc, Banff 2010 from The Base Camp on Vimeo.

24 outubro 2010

Chão de Giz

Abelardo Ninguém (PSP)

Serra e o vídeo da Rede Globo

A fita mágica?
Desde o final da manha desta sexta (22/10), o site do professor José Antonio Meira da Rocha (http://meiradarocha.jor.br) foi bloqueado pela empresa que o hospeda — no que pode ser um caso grave de censura na internet. Em decorrência, as imagens que sustentavam a hipótese levantada por ele desapareceram, em dezenas de blogs que reproduziam suas informações.

O material foi republicado, em seguida, no blog Marxismo On-Line, de Leonardo Arnt — de onde foi reproduzido por Outras Palavras


O Jornal Nacional de ontem fez lembrar o envolvimento da Rede Globo na disputa presidencial que elegeu Fernando Collor, em 1989. Nada menos que 7 minutos foram dedicados à tentativa de demonstrar que José Serra fora atingido, na véspera, por um rolo de fita adesiva. Convocou-se Ricardo Molina, um “especialista” cujo currículo inclui a tentativa de acusar o MST pelo massacre de Eldorado de Carajás, de “assegurar” que PC Farias se suicidou e de questionar as provas sobre a responsabilidade da família Nardoni na morte da menina Isabela. Procurava-se frear a onda de indignação (e de deboche) que correu o país, quando se soube, horas antes, que a “agressão” sofrida na véspera pelo candidato do PSDB fora provocada por uma bolinha de papel. Não, tentou afirmar o Jornal Nacional: a tomografia a que se submeteu o candidato justificava-se. Ele havia sido atingido também por um rolo de fita adesiva…

Até mesmo esta versão está sendo contestada agora. José Antonio Meira da Rocha, professor de Jornalismo Gráfico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), analisou as imagens do Jornal Nacional quadro a quadro e chegou às seguintes conclusões, publicadas em seu blog: a) o suposto rolo de fita crepe, ou durex, não aparece em nenhum dos quadros anteriores ou posteriores ao momento em que se “choca” com a cabeça de Serra. Teria surgido do nada; b) um truque elementar na manipulação de vídeos (um artifact de compressão) é suficiente para gerar imagem idêntica à exibida no Jornal Nacional.

A análise de Meira Rocha pode ser conferida abaixo. Adicionalmente, um post no blog de Luís Nassif mostra: o suposto “choque” da fita adesiva com a cabeça de Serra deu-se numa parte da cabeça totalmente distinta daquela em que, segundo seu médico, ele foi atingido…

Leia a análise e confira as fotos no link: http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/serra-e-a-fita-crepe-questionada-autenticidade-de-video-da-globo