12 julho 2012

Estranha natureza


Autêntico e Verdadeiro


O Menestrel





Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…

E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…

Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.

Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…

Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…

Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.



William Shakespeare

09 julho 2012

Tentações Voluptuosas






Sempre me interessei por peixes e aves. Mesmo hoje em dia, tenho aquários nas minhas salas e laboratórios, e às vezes peço a meus alunos que cuidem deles. Eles me procuram para aprender sobre primatas e eu lhes empurro peixes! Mas faz parte de sua educação. Sendo estudantes de disciplinas antropocêntricas, como psicologia e antropologia, eles riem da idéia de que esses animais escorregadios da base da escala evolutiva possam ser interessantes. Mas os peixes têm muito a nos ensinar. E, assim como ocorre para cada criatura no planeta, o impulso de reproduzir-se está no cerne de sua existência.



Em um enorme aquário tropical construído na parede de minha casa, um peixinho causou-me profunda impressão. Vivendo com muitos outros peixes, grandes e pequenos, um macho e uma fêmea de kribensis começaram a fazer a corte. Os kribensis são ciclídeos que formam par para a vida toda. Essa família de peixes é conhecida pelo zelo com a prole. A barriga da fêmea adquiriu um tom vermelho-cereja, e ambos, macho e fêmea, ganharam vivas bordas alaranjadas na cauda e nadadeiras dorsais. Os dois tremularam e dançaram o dia todo e, juntos, enxotaram os outros kribensis. Como sempre, o macho perseguiu os machos, e a fêmea, as fêmeas. Demarcaram um canto do aquário com densa vegetação. A barriga da fêmea começou a avolumar-se. Não prestei muita atenção, pois os peixes que tentam reproduzir-se em um aquário com muitos outros geralmente perdem toda a prole, devorada pelo bando de famintos à sua volta. Por isso, um belo dia me surpreendi ao ver o macho tomando conta da cria. Não sei o que aconteceu com sua parceira.



Talvez no afã de manter limpo o seu canto, ele a tenha expulsado. Entre os ciclídeos é comum o macho cuidar da prole, e esse macho era um verdadeiro Davi contra muitos Golias. Mantinha longe peixes seis vezes mais compridos e centenas de vezes mais pesados do que ele. Compensava sua pequenez arremetendo, dando cabeçadas e incomodando quem chegasse perto. Depois de expulso o intruso, voltava para sua coleção de bolinhas nadadoras e se punha em determinada postura quase rente ao chão. Todos os filhotes reuniam-se então em um denso aglomerado embaixo dele.



Com o tempo, porém, os peixinhos tornaram-se mais aventureiros, e a tarefa de reuni-los foi ficando cada vez mais difícil. Outros peixes tentavam aproximar-se daqueles petiscos móveis, e o papai fazia hora extra. Acho que ele não comeu nada durante esse período, e provavelmente estava estressadíssimo. Após quatro semanas de valentes esforços, ele morreu. O macho outrora sadio e de cores vivas tornou-se um pálido cadáver que retirei do aquário. Mas sua prole crescera o suficiente para sobreviver, e acabei tendo mais 25 kribensis no aquário, muitos dos quais dei de presente.



Embora a vida desse macho tenha terminado prematuramente, foi um sucesso total: ele se multiplicou. Do ponto de vista biológico, a produção de descendentes vale todo o trabalho do mundo. Sua prole herdará a mesma propensão a empenhar-se, e o resultado será todo um ciclo de reprodução bem-sucedida. A seleção natural elimina os que fazem corpo mole ou são avessos ao risco; tais indivíduos não terão muitos genes na geração seguinte. Meu kribensis macho claramente recebeu seus genes de uma longa linhagem de pais e avós heróicos, e fielmente levou avante a tradição.



Conto essa história para mostrar que, no fundo, o que fazemos em nossa sociedade, ou o que os bonobos fazem na deles, não é diferente do que todos os outros animais fazem. Hoje em dia, obviamente, as pessoas limitam o tamanho da família. Muitos nem têm filhos. Mas os 6 bilhões de seres humanos do mundo não estariam onde estão se a reprodução não fosse absolutamente essencial à nossa evolução. Cada característica humana origina-se de ancestrais que conseguiram transmitir seus genes. Nosso quadro evolutivo só difere do de um peixe porque nos reproduzimos de um jeito muito mais complicado. Vivemos em grupo, criamos, alimentamos e educamos nossos filhos por anos, buscamos status e privilégios para eles, guerreamos, lutamos contra a endogamia, legamos bens, e assim por diante. A sobrevivência além da própria reprodução pode não importar para um peixe, mas é parte importante de nossa rede social e explica o curioso fenômeno da menopausa como o modo que a natureza encontrou para que as mulheres mais velhas possam ajudar a cuidar dos filhos de seus filhos. Com sociedades muito mais complexas que a dos peixes, e um tanto mais complexas que as dos outros primatas, tivemos de expandir a capacidade do nosso cérebro para sermos mais espertos que todos à nossa volta. Mas, fundamentalmente, continuamos a ser indivíduos que buscam a maior representação genética possível na geração seguinte.



O grande tema da natureza permite-nos entender o comportamento dos humanos e dos bonobos, reconhecendo que ambos lutam pelo mesmo fim por diferentes meios. Em um lance bemsucedido para barrar o infanticídio, evoluiu entre os bonobos uma sociedade sexualizada e dominada pelas fêmeas na qual a paternidade é um mistério. É difícil, ao descrever essa sociedade, evitar a terminologia que criamos para nos referir à nossa própria vida sexual: palavras como "promíscuo", "livre" ou "hedonista", termos que dão a impressão de que esses primatas estão fazendo algo errado ou alcançaram um grau inédito de emancipação. Mas não é nada disso. Os bonobos fazem o que fazem simplesmente porque isso permite a sobrevivência e a reprodução ótimas no meio em que vivem.



Nossa evolução seguiu rumo diferente. Aumentando a certeza sobre a paternidade, abrimos caminho para um envolvimento ainda maior do pai nos cuidados com os filhos. No processo, tivemos de limitar o sexo fora da família nuclear. Até nossos testículos pequenos contam uma história de maior compromisso
e liberdade refreada. A livre troca de parceiros não pode ser tolerada em um sistema reprodutivo como esse. Assim, domar a sexualidade tornou-se uma obsessão humana, a ponto de algumas culturas e religiões determinarem a remoção de parte dos genitais femininos ou equipararem o sexo em geral com o pecado.



Durante boa parte da história do Ocidente, os seres humanos mais puros, mais enaltecidos, foram o monge abstinente e a freira virgem. Mas a supressão da carne nunca é completa. Acho muito revelador que os sonhos dos eremitas, que viviam a pão e água, tivessem por tema donzelas voluptuosas, e não fartas refeições. Para os machos, o sexo sempre está em primeiro lugar, como meus chimpanzés demonstram sempre que há uma fêmea com genitais intumescidos. Quando amanhece, tamanha é sua ansiedade de sair da jaula para um dia de atividade e divertimento que podemos oferecer qualquer fruta que eles normalmente apreciam e eles passarão ao largo. A mente cheia de testosterona não se desvia de seu único propósito.



Para os machos, a obsessão por sexo pode ser universal, mas fora isso diferimos notavelmente dos nossos parentes próximos. Transferimos o sexo da esfera pública para a nossa cabana ou quarto, a ser praticado apenas no âmbito da família. De modo nenhum somos fiéis a tais restrições, mas elas são um ideal humano universal. O tipo de sociedade que construímos e valorizamos é incompatível com um estilo de vida como o dos bonobos ou o dos chimpanzés. Nossas sociedades estruturam-se para o que os biólogos chamam de "reprodução cooperativa", ou seja, vários indivíduos trabalham juntos em tarefas que beneficiam o todo. Além de cooperarem com as mulheres na supervisão dos mais jovens, os homens executam trabalhos coletivos, como caçar e defender o grupo. Assim a comunidade realiza mais do que cada indivíduo poderia esperar fazer sozinho, como, por exemplo, impelir uma manada de bisões penhasco abaixo ou puxar pesadas redes de pesca. E tal cooperação depende da oportunidade de todos os homens se reproduzirem. É preciso que cada homem tenha interesse pessoal no resultado do esforço cooperativo, ou seja, uma família para quem levar o produto do trabalho. Isso também significa que os homens precisam confiar uns nos outros. Muitas de suas atividades os mantêm dias ou semanas afastados da companheira. Só com a garantia de que ninguém será traído os homens se disporão a partir juntos para uma guerra ou uma viagem de caça.



O dilema de como engendrar a cooperação entre concorrentes sexuais foi resolvido de um só golpe com o estabelecimento da família nuclear. Esse esquema ofereceu a quase todo homem a chance da reprodução e, portanto, incentivos para que ele contribuísse para o bem comum. Assim, devemos ver a manutenção do par humano como a chave para o incrível nível de cooperação que marca nossa espécie. A família, e os costumes sociais que a embasam, permitiu-nos levar os vínculos masculinos a um novo patamar, desconhecido em outros primatas. Preparou-nos para empreendimentos cooperativos em grande escala que possibilitaram a conquista do mundo: de instalar ferrovias através de um continente a formar exércitos, governos e corporações globais. Na vida diária podemos separar as esferas social e sexual, mas na evolução da nossa espécie elas são intimamente ligadas.



O que tanto nos fascina nos bonobos é que eles não necessitam separar essas esferas; alegremente misturam o social e o sexual. Podemos invejar esses primatas por sua "liberdade", mas nosso sucesso como espécie está inextricavelmente vinculado ao abandono do estilo de vida bonobo e a um controle mais rigoroso das expressões sexuais.


Trecho do livro "Eu, primata", de Frans de Waal











Minha alma




A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?"
As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo!
Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido...
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

Indígenas exigem que Ibama e Funai retirem licença de Belo Monte











Após 18 dias de ocupação da ensecadeira do canteiro de obras de Pimental, iniciada dia 21 de junho em função do descumprimento das medidas de proteção e mitigação de impactos previstas no licenciamento da usina, indígenas afetados e ameaçados pela construção de Belo Monte decidiram protocolar no Ibama e na Funai um documento de denúncia das ilegalidades cometidas pela Norte Energia. Segundo  advogados e juristas que acompanham o caso, estes descumprimentos devem levar a empresa à perda da licença de construção de Belo Monte.
De acordo com o documento, que analisa minuciosamente os acordos e prazos legais que deveriam ter sido cumpridos pela empresa, os problemas são, entre outros:
- a TI Trincheira-Bacajá, onde vivem os Xikrin, não está devidamente contemplada dentro do Plano Básico Ambiental – PBA indígena;
- o PBA como um todo continua sem ser completado e aprovado, e muito menos implementado;
- as obrigações previstas nas condicionantes acerca da garantia plena do acesso fluvial à cidade de Altamira por indígenas e ribeirinhos da Volta Grande do Xingu não foram cumpridas;
- apesar de compromissos assumidos pela NESA e pelo DSEI-Altamira, ainda não se viabilizou a construção de poços artesianos e obras de encanamento de água para garantir uma alternativa de acesso a água potável para o consumo humano, uma vez que os barramentos do Xingu estão deixando as águas do rio impróprias para consumo;
- antes da licença de instalação da Usina Hidrelétrica, as condicionantes da Funai previam um “programa de atendimento à saúde reformulado”, que já devia estar “operante”, e não está;
- foi assumido o compromisso em reuniões com indígenas de reforma da casa do índio, o que não ocorreu até agora;
- não foi finalizada nenhuma etapa do processo de demarcação, desintrusão e regularização fundiária de territórios indígenas.
- pelo menos duas Unidades de Conservação (UCs) de proteção integral na região deveriam ter sido criadas para o estabelecimento de um corredor ecológico ligando as Terras Indígenas Paquiçamba, Arara da Volta Grande do Xingu e Trincheira-Bacajá com as UCs existentes. Não há estudos para isso, nem previsões sobre passos concretos e um cronograma para viabilizar esse corredor de áreas protegidas.
“A permanência do atual quadro de ilegalidades é intolerável numa sociedade democrática, de respeito ao Estado de Direito. A FUNAI e o IBAMA precisam agir agora e fazer valer a legislação e as instituições democráticas que respaldam os direitos de todos os cidadãos brasileiros envolvidos neste processo, sobretudo os dos mais ameaçados e impactados pela construção da UHE Belo Monte”, conclui o documento, endereçado ainda à presidente Dilma, aos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Maria do Rosário (Secretaria Nacional de Direitos Humanos), Isabella Teixeira, Ministra do (Meio Ambiente), Edson Lobão (Minas e Energia), além de Roberto Monteiro Gurgel Santos, Procurador Geral da República, e Luciano Coutinho, Presidente do BNDES.
De acordo com a coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Antonia Melo, a situação de violações dos direitos indígenas é tão gritante que, perante a lei brasileira, tanto Ibama quanto Funai não teriam nenhuma justificativa para manter a autorização, marcada desde o início por centenas de irregularidades, de construção da usina.
“Somos totalmente solidários com a luta dos indígenas. Mas não são apenas eles que sofrem com esta barbaridade, é toda a população da área de influência de Belo Monte. Se o governo e seus órgãos ainda respeitam minimamente o Estado de Direito no País, a primeira medida é cancelar o licenciamento das obras. Com isso, pode-se comprovar, através de análises técnicas e jurídicas, que Belo Monte não é um projeto viável, que tem que ser descartado e que todo o dano já causado terá que ser compensado”.
Clique aqui para ler o documento na íntegra
Link: Xingu Vivo

02 julho 2012

Planeta tem 15 milhões de toneladas de excesso de peso, diz pesquisa



Um estudo publicado nesta semana no periódico "BMC Public Health" mostra que o planeta está com 15 milhões de toneladas de sobrepeso.

Desse total, 3,5 milhões de toneladas são devido à obesidade somada dos indivíduos. Toda a população mundial adulta do mundo pesa cerca de 316 milhões de toneladas.
Para chegar a essa estimativa, pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres usaram dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2005 e estabeleceram um peso médio global de 62 kg.

Há, porém, diferenças regionais. Nos EUA, o peso médio é de 80,7 kg, enquanto na Ásia a média é 57,7 kg. Isso significa que, embora a Ásia represente 61% da população mundial, ela responde por 13% do peso do mundo devido à obesidade. Já os EUA têm 6% da população, mas são responsáveis por 34% do peso total da obesidade.

Segundo os pesquisadores, esses quilos a mais podem ter implicações para as demandas mundiais de alimentos e calorias, como se houvesse mais meio bilhão de pessoas habitando a Terra. Os autores afirmam ainda que os resultados da pesquisa revelam a importância de levar a massa corpórea em conta ao considerar as implicações ambientais do aumento da população.


Os Estados Unidos mais uma vez lideram a lista de países mais obesos, seguidos pelo Kuait e pela Croácia.


Top 10 dos países pesados (com mais de 100 mil pessoas)
1) EUA
2) Kuait
3) Croácia
4) Qatar
5) Egito
6) Emirados Árabes Unidos
7) Trinidad e Tobago
8) Argentina
9) Grécia
10) Bahrein


Top 10 dos mais leves
1) Coreia do Norte
2) Camboja
3) Burundi
4) Nepal
5) Congo
6) Bangladesh
7) Sri Lanka
8) Etiópia
9) Vietnã
10) Eritreia


Fonte: Folha

29 junho 2012

Stairway to Heaven




There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven
When she gets there she knows if the stores are all closed
With a word she can get what she came for
And she's buying a stairway to heaven
There's a sign on the wall, but she wants to be sure
'Cause you know sometimes words have two meanings
In a tree by the brook there's a songbird who sings
Sometimes all of our thoughts are misgiven
Oh, it makes me wonder
Oh, it makes me wonder
There's a feeling I get when I look to the west
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking
Oh, it makes me wonder
Oh, really makes me wonder
And it's whispered that soon, if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And the forests will echo with laughter
If there's a bustle in your hedgerow, don't be alarmed now
It's just a spring clean for the may queen
Yes, there are two paths you can go by, but in the long run
There's still time to change the road you're on
And it makes me wonder
Your head is humming and it won't go
In case you don't know, the piper's calling you to join him
Dear lady, can you hear the wind blow
And did you know your stairway lies on the whispering wind
And as we wind on down the road
Our shadows taller than our soul, there walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold and if you listen very hard
The tune will come to you at last
When all are one and one is all, yeah
To be a rock and not to roll
And she's buying a stairway to heaven

1 milhão para proibir o comércio de leões



Caros amigos,


Centenas de leões sul-africanos estão sendo abatidos para a produção de poções falsas para sexo para os homens. Mas podemos acabar com este comércio cruel ameaçando o governo em um tema sensível - a indústria do turismo.

A proibição mundial da venda de ossos de tigre fez com que comerciantes fossem atrás de um novo prêmio - os majestosos leões. Leões são criados em condições terríveis na África do Sul para "caça enlatada", onde os turistas ricos pagam fortunas para matá-los através de cercas. Agora, especialistas dizem que os ossos de leão dessas fazendas assassinas estão sendo exportados para os fabricantes de falsa 'medicina' na Ásia com enormes lucros. O comércio está explodindo e especialistas temem que à medida que os preços subam, mesmo os leões selvagens - apenas 20.000 restantes na África - sofrerão o ataque da caça furtiva.

Se pudermos mostrar ao Presidente Zuma que este comércio está prejudicando brutalmente a imagem da África do Sul como destino turístico, ele poderá proibir e punir o comércio de ossos de leões. A Avaaz colocará anúncios impactantes em aeroportos, sites e revistas de turismo, mas precisamos urgentemente de 1 milhão de assinaturas na nossa petição para dar força a estes anúncios. Assine abaixo para aumentarmos nossas assinaturas rapidamente:

https://secure.avaaz.org/po/stop_lion_slaughter_for_sex_aides_d/?bKOGWab&v=15585

"Vinho de osso de tigre" e outros medicamentos feitos com partes de tigres foram proibidos após uma enorme indignação internacional - agora os comerciantes passaram a dedicar sua atenção aos ossos de leões para fazer todos os tipos de remédios falsos. Especialistas dizem que a não ser que os governos ajam agora, os leões poderão ser os próximos da lista de extinção- depois de tigres e rinocerontes.

Há uma solução: proibir e punir o comércio de ossos e órgãos de leão. A África do Sul é atualmente o maior exportador de troféus de leão, ossos e órgãos - é também o único país africano ativamente reproduzindo leões em grande número para suprir a caça de troféus. Mas se pudermos mostrar que, ao permitir este comércio sem sentido, a indústria do turismo na África do Sul pode ser prejudicada levando os visitantes a deixar o país, o presidente Zuma poderá ser forçado a agir.

Vamos construir um estrondoso rugido global em nome dos leões. A Avaaz irá mostrar a crueldade do comércio de ossos de leão com anúncios pungentes - assine agora para aumentarmos o número de assinaturas rapidamente:

https://secure.avaaz.org/po/stop_lion_slaughter_for_sex_aides_d/?bKOGWab&v=15585

Membros da Avaaz em todo o mundo uniram-se para exigir uma forte proteção para rinocerontes, salvar as abelhas do mundo de pesticidas tóxicos e a criação de enormes reservas marinhas em Chagos e Austrália para proteger espécies marinhas vulneráveis. Vamos nos unir mais uma vez e proteger os leões da África.

Com esperança e determinação,

Jamie, Alex, Antonia, Mia, Alice, Ricken, Luca, Emily e o toda a equipe da Avaaz

Mais informação:

Lion Bone Trade Fuels Breeding Business in Africa (Al Jazeera) (em inglês)
http://allafrica.com/view/resource/main/main/id/00040108.html

South Africa continues to support the lion bone trade (LionAid) (em inglês)
http://www.lionaid.org/blog/2012/06/south-africa-continues-to-support-the-lion-bone-trade.htm

Quenching a thirst for lion bones (Mail & Guardian) (em inglês)
http://mg.co.za/article/2012-04-20-quenching-a-thirst-for-lion-bones/

Born to be killed (Carte Blanche)(em inglês)
Quenching a thirst for lion bones (Mail & Guardian) (em inglês)
http://beta.mnet.co.za/carteblanche/Article.aspx?ID=4226

The Lion Bone’s Connected to the … Rhino Horn? (Rhinoconservation.org) (em inglês)
http://www.rhinoconservation.org/2012/05/12/the-lion-bones-connected-to-the-rhino-horn/

Wildlife trafficking trail leads to SA safari man (News 24) (em inglês)
http://www.news24.com/SouthAfrica/News/Bloody-rhino-poaching-trail-leads-to-SA-safari-operator-20110721 

24 junho 2012

Teardrop



Love, love is a verb
Love is a doing word
Fearless on my breath
Gentle impulsion
Shakes me makes me lighter
Fearless on my breath
Teardrop on the fire
Fearless on my breath
Night, night of matter
Black flowers blossom
Fearless on my breath
Black flowers blossom
Fearless on my breath
Teardrop on the fire
Fearless on my breath
Water is my eye
Most faithful mirror
Fearless on my breath
Teardrop on the fire of a confession
Fearless on my breath
Most faithful mirror
Fearless on my breath
Teardrop on the fire
Fearless on my breath
You're stumbling a little (2x)


Tradução

20 junho 2012

Revista VEJA e o DNA

Como a própria figura nos diz, essa é uma relação inusitada.


O Ricardo Vêncio, do Laboratório de Processamento de Informação Biológica da USP Ribeirão (e colega do Igor Z.), nos mandou hoje um curioso infográfico que saiu na Revista Veja na semana passada. Notem a posição dos genes na fita do DNA!

Se você faltou nas aulas de Genética, fique com o email do Ricardo para a redação da revista:


Caros da Veja,
Apesar do texto da reportagem sobre Genética da última edição estar muito bom, incluindo até conceitos da emergente Biologia Sistêmica, a figura que mostra a sequência: “célula – DNA – gene” induz o leitor a erros conceituais graves:
1) A interação entre as duas fitas da hélice de DNA está ilustrada como algumas bolinhas em seqüencia, dando a impressão que são átomos, partículas ou coisa que o valha. Essas ligações são chamadas “pontes de hidrogênio” e, na verdade, são atrações entre átomos que estão nas duas fitas. Uma linha tracejada ou algo do tipo seria uma ilustração adequada enquanto que bolinhas induzindo o leitor a imaginar uma cordinha ou corrente ou algo assim, definitivamente não. Uma boa ilustração pode ser encontrada, por exemplo, aqui.
2) A figura induz o leitor a imaginar que os genes estão nas “pontes de hidrogênio”, o que está completamente errado. Uma ilustração melhor pode ser encontrada, por exemplo, aqui.
Acho importante que uma errata seja publicada na próxima edição, uma vez que não são errinhos sem importância, mas sim falhas conceituais graves, principalmente se lembrarmos que esta edição foi publicada logo depois daquele sobre Vestibulares.
Obrigado.
A mensagem explica claramente dois erros conceituais graves na figura sendo que, particularmente acho o segundo amis grava. Veja, se vc lê este blog (rs), saiba que os genes são feitos de pedaços de DNA e não de pontes de hidrogênio.
Mas esperem! Tem a cereja deste boimate: a resposta ao email polido do Ricardo (com negritos meus):
Prezado Ricardo Z. N. Vêncio,
Agradecemos as observações sobre a reportagem “Um gene, várias doenças” (22 de abril de 2009 – página 98).
Consultamos os jornalistas responsáveis pela reportagem. Eles nos forneceram os seguintes esclarecimentos: “Por não ser uma revista científica, VEJA pode sim representar os genes como bolinhas. Cometeríamos erro se tivéssemos trocado os genes pelo DNA ou coisas do gênero. As imagens publicadas foram obtidas em bancos de imagens e estão identificadas da mesma forma como aparecem em VEJA.”
Atenciosamente,
Redação/Revista VEJA (www.veja.com.br)
Não precisa comentar né? Afinal, genes não tem nada a ver com DNA e, por não ser uma revista científica, a Veja não tem compromisso nenhum com o que acreditamos ser realidade.
Fonte: Science Blogs

16 junho 2012

Por isso a Dona é Malandra


Os bonobos.


A bonobo fêmea tem intumescimento genital mesmo quando não está fértil, como por exemplo durante a gravidez ou a lactação. Com a chimpanzé fêmea isso não ocorre. Calculou-se que as chimpanzés fêmeas têm intumescimento genital durante menos de 5% de sua vida adulta, enquanto as bonobos vivem nesse estado quase 50% do tempo. Além disso, exceto por uma queda quando as fêmeas estão menstruadas, o sexo ocorre durante todo o ciclo para a fêmea bonobo, e isso é intrigante. Para que serviria o intumescimento genital, aquele balão grotesco, senão para anunciar fertilidade?



Como o sexo e o intumescimento genital são em grande medida desvinculados da fertilidade, um macho bonobo precisaria ser um Einstein para descobrir quais filhotes poderiam ser dele. Não que os grandes primatas não humanos tenham noção da relação entre sexo e reprodução. Só os humanos a têm. Mas é muito comum machos favorecerem a cria das fêmeas com quem eles se acasalaram, e assim, efetivamente, estão cuidando e protegendo a própria prole. Entre os bonobos, porém, há sexo demais com parceiros demais para que eles possam fazer tais distinções. Se alguém quisesse planejar um sistema social no qual a paternidade permanecesse obscura, dificilmente faria melhor do que a Mãe Natureza fez para os bonobos. Hoje acreditamos que essa pode ser, na verdade, exatamente a razão: as fêmeas têm a ganhar atraindo os machos para relações sexuais. Repito que não está implícita nenhuma intenção consciente; simplesmente, ocorrem equívocos quanto à fertilidade. A princípio, essa idéia é desnorteante. Embora a paternidade nunca seja tão certa quanto a maternidade, nossa espécie não está muito bem com uma alta confiança na paternidade? Os homens têm muito mais certeza nessa questão do que os machos de animais que vivem em promiscuidade ilimitada. Que problema poderia haver em machos saberem quem são seus descendentes? A resposta é: o problema do infanticídio por machos que matam recém-nascidos.



Eu estava presente no histórico encontro em Bangalôre, sul da Índia, no qual Yukimaru Sugiyama, renomado primatólogo japonês, deu a notícia inédita de que langures machos, uma espécie de macaco encontrado na índia, se apoderam de um harém de fêmeas, depõem o líder e em seguida costumam matar todos os infantes. Arrancam-nos da barriga da mãe e os empalam com os dentes caninos. Esse encontro aconteceu em 1979 e, na época, ninguém se deu conta de que ele seria histórico, de que estava nascendo uma das mais provocativas hipóteses da nossa era. A apresentação de Sugiyama foi recebida com um silêncio ensurdecedor, seguido por um dúbio elogio do presidente da mesa por aqueles intrigantes exemplos do que ele chamou de "patologia comportamental". Foram palavras do presidente da mesa, e não do palestrante. A idéia de que animais matam os de sua própria espécie, e não apenas acidentalmente, era incompreensível e repulsiva.



A descoberta de Sugiyama e sua hipótese de que o infanticídio poderia ajudar a reprodução dos machos foi desconsiderada por toda uma década. Mas então mais relatos apareceram, primeiro sobre outros primatas e por fim relacionados com animais das mais variadas espécies, entre eles ursos, cães-de-pradaria, golfinhos e aves. Quando leões machos se apoderam de um bando, por exemplo, as leoas fazem todo o possível para impedi-los de ferir os filhotes, mas geralmente em vão. O rei dos animais salta sobre o filhote indefeso, abocanha-lhe o pescoço e o sacode, matando-o na hora. Não come a vítima. Parece um ato totalmente deliberado. A comunidade científica não conseguia acreditar que as mesmíssimas teorias que falam de sobrevivência e reprodução poderiam aplicar-se à aniquilação de recém-nascidos inocentes.



Mas era isso exatamente que se estava supondo. Quando um macho se apodera de um grupo, não só expulsa o antigo líder; também remove os últimos esforços reprodutivos deste. Assim, as fêmeas retomarão mais cedo o ciclo reprodutivo, e isso contribuirá para a reprodução do novo macho dominante. Sarah Blaffer Hrdy, antropóloga americana, desenvolveu ainda mais essa idéia e também chamou a atenção para exemplos de infanticídio humano. Já está comprovado, por exemplo, que crianças correm mais risco de sofrer maus-tratos infligidos por um padrasto do que por seu pai biológico, o que parece ter relação com a reprodução masculina. Diz a Bíblia que o faraó ordenou a morte de recém-nascidos, sem falar na passagem mais célebre sobre o rei Herodes, que "mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo" (Mateus 2, 16). O registro antropológico mostra que depois de uma guerra é comum crianças de mães capturadas serem mortas. Razões não faltam para incluirmos nossa espécie nos debates sobre o infanticídio por machos.



O infanticídio é considerado um fator importantíssimo na evolução social, opondo machos contra machos e machos contra fêmeas. Estas nada têm a ganhar: perder a cria é sempre desastroso. Hrdy teoriza sobre as defesas das fêmeas. Elas evidentemente fazem todo o possível para defender a si mesmas e à prole, mas, devido ao tamanho maior e às armas especiais dos machos (como dentes caninos), em geral elas não têm êxito. A segunda melhor alternativa é confundir a paternidade. Quando machos forasteiros se apoderam do grupo, como no caso dos leões e dos langures, um recém-chegado pode ter certeza absoluta de que não
é pai de nenhum dos filhotes vistos ali. Mas, se um macho já vive no grupo, quando encontra uma fêmea conhecida com um filhote a situação é diferente. O filhote pode muito bem ser dele, por isso matá-lo reduziria a capacidade desse macho para transmitir seus genes. Da perspectiva evolutiva, nada poderia ser pior para um macho do que eliminar seus descendentes. Portanto, supõe-se que a natureza forneceu aos machos uma "regra prática": só atacar infantes cuja mãe não tenha feito sexo com eles recentemente. Isso pode parecer infalível para os machos, mas abre para as fêmeas a oportunidade de uma brilhante contra estratégia. Aceitando as investidas de muitos machos, uma fêmea pode precaver-se contra o infanticídio, pois nenhum dos seus parceiros pode descartar a possibilidade de a cria ser dele. Em outras palavras, a galinhagem compensa.



Eis, pois, uma razão possível para os bonobos terem muito sexo e nenhum infanticídio. Este nunca foi observado entre eles, nem na natureza, nem em cativeiro. Já se viram machos investir contra fêmeas com infantes, mas a defesa em massa contra tal comportamento indica uma formidável oposição ao infanticídio. O bonobo é realmente uma exceção entre os grandes primatas, pois o infanticídio é bem documentado em gorilas e chimpanzés, sem mencionar os humanos. Um chimpanzé macho grandalhão na floresta de Budongo, em Uganda, foi descoberto segurando um infante morto de sua própria espécie, parcialmente comido. Havia outros machos por perto, e a carcaça era passada entre eles. Dian Fossey, antropóloga que ganhou fama quando sua história foi contada no filme Nas montanhas dos gorilas, viu um solitário gorila de dorso prateado entrar em um grupo e fazer uma violenta demonstração ritualizada de agressividade. Uma fêmea que dera à luz na noite anterior enfrentou-o com outra demonstração, pondo-se em pé e batendo no peito. O recém-nascido agarrado a seu ventre exposto foi golpeado imediatamente pelo macho, e morreu com um vagido.



Naturalmente, achamos o infanticídio revoltante. Uma pesquisadora de campo não conseguiu resistir e interferiu quando chimpanzés machos cercaram uma fêmea que rastejava no chão tentando esconder seu infante, emitindo fervorosos grunhidos apaziguadores para evitar o ataque. A pesquisadora esqueceu sua obrigação profissional de não intervir e enfrentou os machos com um grande pedaço de pau. Não foi uma ação das mais inteligentes, pois às vezes chimpanzés machos matam pessoas, mas a cientista conseguiu enxotar os machos e sair ilesa.



Não admira que as chimpanzés fêmeas fiquem longe de grandes agrupamentos de sua espécie por anos depois de terem dado à luz. O isolamento pode ser sua principal estratégia para prevenir o infanticídio. Elas só voltam a ter intumescimento genital perto do fim do período de lactação, que dura uns três ou quatro anos. Até essa época, não têm nada a oferecer aos machos que buscam sexo, mas também ficam desprovidas de um modo eficaz de abrandar um macho agressivo. As chimpanzés fêmeas passam boa parte da vida se deslocando sozinhas com suas crias dependentes. As bonobos, em contraste, reúnem-se ao seu grupo logo após darem cria, e em alguns meses voltam a copular. Têm pouco a temer. Os bonobos machos não têm como saber quais infantes são seus, quais não são. E, como as bonobos fêmeas tendem a ser dominantes, atacar sua cria é arriscado.



Amor livre nascido de autoproteção? "Por isso a dona é malandra", nos diria Frank Sinatra, na canção "The lady is a tramp". "Ela ama sentir o vento correr livre e fresco em seus cabelos, a vida sem cuidados", canta ele. De fato, a vida despreocupada das bonobos fêmeas contrasta com a nuvem negra que paira sobre as fêmeas de muitas outras espécies. O prêmio que a evolução destina a quem dá fim ao infanticídio deve ser inestimável. As bonobos fêmeas batalham por uma causa — a mais urgente imaginável para o seu gênero — com todas as armas à sua disposição, armas tanto sexuais como agressivas. E parecem triunfar.



Essas teorias, porém, não explicam a diversificação da sexualidade dos bonobos. Imagino que esse comportamento originou-se quando a evolução transformou os bonobos em animais heterossexuais grupais: o sexo simplesmente transbordou para outras esferas, como a vinculação entre indivíduos do mesmo sexo e a resolução de conflitos. A espécie tornou-se sexualizada aos poucos, e também aos poucos, provavelmente, isso foi se refletindo em sua fisiologia. Neurocientistas descobriram fatos fascinantes sobre a oxitocina, um hormônio comum em mamíferos. A oxitocina estimula as contrações uterinas (costuma-se ministrá-la a mulheres em trabalho de parto) e a lactação. Porém, menos conhecido é o fato de que ela também reduz a agressão. Se um rato macho receber uma injeção desse hormônio, diminuirá a probabilidade de ele atacar filhotes. Ainda mais interessante é o fato de que, no cérebro masculino, esse hormônio apresenta um pico após a atividade sexual. Em outras palavras, o sexo produz um hormônio que ajuda a expressar sensibilidade, que, por sua vez, induz a uma atitude pacífica. Isso poderia explicar biologicamente por que as sociedades humanas nas quais a afeição física é comum e a tolerância sexual é alta são geralmente menos violentas do que as sociedades sem essas inclinações. Talvez nessas sociedades as pessoas tenham níveis de oxitocina mais elevados. Ninguém jamais mediu a oxitocina em bonobos, mas aposto que eles a têm para dar e vender.



Quem sabe John Lennon e Yoko Ono tivessem razão quando passaram uma semana na cama no Hilton de Amsterdã em protesto contra a Guerra do Vietnã: o amor traz a paz.


Trecho do livro Eu, primata, de Frans de Waal.