09 setembro 2011

Araraquara proíbe rodeios e sinaliza tendência no interior


Odeio Rodeio.
A Câmara Municipal de Araraquara aprovou por unanimidade, na terça-feira 6, uma lei que proíbe rodeios, touradas, vaquejadas e similares no município.  Comemorada pelas Associações de Proteção aos Animais da cidade, a lei periga espalhar a tendência por outras cidades do interior paulista: Jaboticabal, Atibaia e São Carlos já entraram em contato com os vereadores araraquarenses solicitando informaçõe sobre o projeto.
Os rodeios e eventos do tipo são combatidos veementemente pelas sociedades protetoras. Para que os animais fiquem agitados e pulem, proporcionando a atração e o desafio aos peões e à plateia, diversas técnicas de castigo são utilizadas. Entre elas, o sedém, uma cinta que comprime a região da virilha do animal, inclusive órgãos genitais e esporas de metal. Além disso, muitos animais sofrem quedas em razão dos pulos e, geralmente, têm os ossos fraturados e precisam ser sacrificados.
No dia 19 de agosto, na última Festa do Peão de Barretos, a mais tradicional do País, um bezerro foi sacrificado após ser ferido na prova chamada Bulldog. A ocorrência reabriu a discussão, que chegou inclusive nas redes sociais como um dos principais tópicos do Twitter, depois de um Twitaço organizado por ativistas (entre eles, vegans e vegetarianos, que não ingerem carne animal e derivados).
Leandro Ferro, fundador e secretário-geral do movimento Odeio Rodeio, que luta contra a realização desse tipo de evento, afirma que a própria prefeitura costuma ser beneficiada com os rodeios. “As prefeituras não oferecem opções culturais para as pesssoas”, diz ele. “Muitas vezes, os prefeitos se utilizam desses espaços com grande participação popular para se promover. As prefeituras se valem muito de populismo”, diz ele. Além disso, explica o ativista, as pessoas tem mais atração pelos shows de artistas famosos com entradas baratas do que pelas provas com animais.
Além dos políticos, cervejarias, criadores de bois e os próprios artistas sertanejos são beneficiados com esse mercado. Na festa do peão de Barretos, entre os patrocinadores, estão indústrias de carne, como a Friboi, da pecuária, como a Minerva, e também o portal UOL, a cervejaria Brahma, a montadora Honda, a Redecard, entre outras. Os ingressos para os shows variam de 20 a 400 reais.
Em Araraquara, a discussão teve início há cerca de um ano, conta o presidente da Câmara Aluisio Braz (PMDB), quando o vereador João Farias (PRB) fez um projeto de lei proibindo rodeios. Os clubes de rodeios da cidade reagiram, iniciando um processo de protestos, passeatas e conflitos entre os dois lados. Segundo o vereador, a cidade atrai comitivas de rodeios devido ao seu grande desenvolvimento econômico. O último show de música sertaneja reuniu mais de 30 mil pessoas.
Diante do impasse, o prefeito Marcelo Barbieri (PMDB) decidiu que Araraquara não tem tradição de rodeios e resolveu encampar o projeto que proibia a atividade. “Fazia 11 anos que não era realizado um evento na cidade, apesar da tradição da música sertaneja”, conta Aluisio.
Antes de ser aprovada, a lei recebeu uma ressalva: cavalgadas, leilões, exposições de animais,  hipismo e atividades correlatas estão autorizadas, por serem provas que não apresentam sofrimento aos animais. Com a aprovação da lei, os clubes de cavaleiros manifestaram que devem fortalecer suas atividades para fortalecer a cultura country na cidade, através de shows sertanejos e leilões. Aluisio teme que a intenção final seja resgatar o gosto por rodeios na população e tentar reinstaurá-los depois.
Em algumas cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Sorocaba, Guarulhos, Jundiaí e Mogí das Cruzes os rodeios são proibidos por lei. Em outras, como Bauru, Ribeirão Preto, Cravinhos, Ribeirão Bonito, por decisão judicial. O evento é mais comum no Sul e Sudeste, mas também tem seus similares, como as vaquejadas, que ainda sobrevivem nos estados do Nordeste. Por enquanto.

06 setembro 2011

Chump and Clump


Chump And Clump from Talking Animals on Vimeo.

48h para salvar a Ficha Limpa



Nossa querida Ficha Limpa está em perigo -- o STF pode julgar a lei inconstitucional e dar margem para que centenas de políticos condenados se candidatem às eleições. Mas a Presidente Dilma pode salvar a lei escolhendo um novo Ministro que seja contra a corrupção.

A corte está dividida, mas esse novo Ministro vai ter o voto decisório. Políticos corruptos estão fazendo pressão por um Ministro que seja contra a Ficha Limpa. Mas nós já derrotamos esses políticos sujos uma vez -- nosso movimento, que vem do povo, forçou o Congresso a aprovar a Ficha Limpa contra sua vontade. Podemos fazer isso novamente esta semana se nos mobilizarmos em massa e fizermos um apelo à Dilma para que ela escolha um candidato forte.

A Presidente Dilma se comprometeu em lutar contra a corrupção. Vamos fazer desse dia 7 de setembro o Dia da Independência da Corrupção. Assine essa petição urgente e, em seguida, encaminhe para todos -- a petição será entregue diretamente aos conselheiros da Dilma, e apoiadores da Ficha Limpa serão representados em banners nas marchas que acontecerão no Dia da Independência em São Paulo e Brasília:

http://www.avaaz.org/po/ficha_limpa_under_threat_/?vl

Fizemos grandes avanços ao empurrar a Ficha Limpa para dentro do Congresso e limpar a política da nossa nação -- mas a luta ainda não acabou. Políticos poderosos, incluindo a base aliada da Presidente, estão preocupados que eleições limpas irão tirá-los do poder e estão fazendo um forte lobby para que a Dilma proteja seus interesses.

Especialistas em lei, incluindo o Procurador-Geral da República, afirmam que a Ficha Limpa é totalmente compatível com a Constituição, e que os políticos da nossa nação devem manter um alto padrão ético. Mas, na semana passada, testemunhamos outro exemplo revoltante de impunidade no Brasil quando Jaqueline Roriz, uma política corrupta que foi filmada aceitando dinheiro de propina, foi absolvida por um comitê na Câmara dos Deputados. Se a Ficha Limpa for derrubada, políticos como Roriz poderão ser candidatos nas próximas eleições.

A próxima sessão do STF vai julgar três ações de constitucionalidade da Ficha Limpa, mas os ministros somente se reunirão quando a Dilma substituir a Ministra Ellen Gracie, uma forte defensora da Ficha Limpa que se aposentou recentemente. O STF está dividido ao meio sobre a decisão, por isso a nomeação iminente da Dilma é crucial.

Esta semana, ao celebrarmos a independência da nossa nação, vamos apelar à Dilma que garanta nossa liberdade da corrupção. Todos nós trouxemos a Ficha Limpa até aqui, vamos dar os últimos passos fundamentais para defender essa lei e limpar a política brasileira de uma vez por todas. Assine a petição urgente agora:

http://www.avaaz.org/po/ficha_limpa_under_threat_/?vl

Juntos, o poder do povo derrotou as tentativas dos políticos corruptos de pararem a Ficha Limpa no Congresso quando todos diziam que isso era impossível. A cada passo, nosso movimento respondeu de maneiras criativas e com pressão pública -- vamos superar esses últimos obstáculos e construir um sistema limpo e justo que proteja os interesses de todos os brasileiros.

Com esperança e determinação,

Stephanie, Diego, Caroline, Morgan, Alice, Ricken e toda a equipe da Avaaz

Mais informações:

Ficha Limpa corre o risco de perder a validade (A Gazeta)
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/08/noticias/a_gazeta/politica/947962-ficha-limpa-corre-risco-de-perder-a-validade.html

Supremo põe lei da Ficha Limpa na corda bamba (Estadão)
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,supremo-poe-lei-da-ficha-limpa-na-corda-bamba,765367,0.htm

Ficha Limpa poderá perder a validade (O Povo Online)
http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2011/08/29/noticiapoliticajornal,2288101/ficha-limpa-podera-perder-a-validade.shtml

Procurador-geral defende constitucionalidade da Ficha Limpa (Folha de S. Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/poder/965963-procurador-geral-defende-constitucionalidade-da-ficha-limpa.shtml

Movimento que coletou assinaturas para a Lei da Ficha Limpa lamenta absolvição de Jaqueline Roriz (O Globo)
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/08/31/movimento-que-coletou-assinaturas-para-lei-da-ficha-limpa-lamenta-absolvicao-de-jaqueline-roriz-925264984.asp 

05 setembro 2011

Cachorros de Palha [16]


Guerras futuras
A guerra genocida entre hutus e tutsis em Ruanda teve diversas causas, uma delas – e não a menos importante – sendo a deformação das culturas tribais do país por seus dominadores belgas. Mas foi parcialmente uma luta por água. Escreve E. O. Wilson:
“Superficialmente pareceria, e assim foi noticiado na mídia, que a catástrofe em Ruanda era uma rivalidade étnica que havia saído totalmente do controle. Isso é apenas parcialmente verdade. Havia uma causa mais profunda, enraizada nas questões ambientais e na demografia. Entre 1950 e 1994, a população de Ruanda, favorecida por melhores cuidados de saúde e por uma melhoria temporária na oferta de alimentos, mais do que triplicou, passando de 2,5 milhões para 8,5 milhões. Em 1992 o país teve a mais alta taxa de crescimento demográfico do mundo, com uma média de oito filhos para cada mulher. (...) Embora a produção total de alimentos tenha crescido dramaticamente durante esse período, logo foi suplantada pelo crescimento populacional. (...) A produção de grãos per capita caiu pela metade entre 1960 e o início dos anos 1990. A água ficou tão escassa que os hidrologistas declararam Ruanda um dos 27 países em situação de alto risco. Os soldados adolescentes dos hutus e dos tutsis partiram para resolver o problema populacional da maneira mais direta.”

Trecho do livro Cachorros de Palha.

03 setembro 2011

Cachorros de Palha [15]



O espelho da solidão
Segundo E. O. Wilson, “o próximo século verá o fechamento da Era Cenozóica (a Idade dos Mamíferos) e o início de uma nova, caracterizada não por novas formas de vida, mas pelo empobrecimento biológico. Pode ser apropriadamente chamada de “Era Eremozóica”, a Idade da Solidão”.
A humanidade poderá em breve encontrar-se sozinha num mundo vazio. Os humanos se apropriam de mais de 40% do tecido vivo sobre a Terra. Se, nas próximas poucas décadas, o número de humanos dobrar novamente, bem mais do que a metade da matéria orgânica do mundo será destinada a eles. Muito provavelmente, esse pesadelo nunca chegará a acontecer. O mundo protético que os humanos estão criando para si mesmos será destruído, muito antes de ser completado, pelos efeitos colaterais da atividade humana – guerra, poluição e doença.

Trecho do livro Cachorros de Palha.

Cachorros de Palha [14]



Paraísos artificiais
Não há nada peculiarmente humano no uso de drogas. Tanto no cativeiro como soltos, foi demonstrado que muitos outros animais buscam intoxicantes. No seu livro The Soul of the Ape, Eugene Marais – que era viciado em morfina – mostrou que babuínos selvagens chacma usavam intoxicantes para romper o tédio da consciência comum. Em tempos de fartura, quando muitas outras frutas estavam facilmente disponíveis, eles se davam o trabalho de procurar uma fruta rara, semelhante a uma ameixa, e, depois de comê-la, mostravam todos os sinais de intoxicação. Resumindo suas descobertas, que estão reforçadas por pesquisa posterior, Marais escreveu: “O uso habitual de venenos com o propósito de induzir a euforia – uma sensação de bem-estar mental e felicidade – é um remédio universal para a dor da condição consciente.”
É um resultado que se aplica tanto aos humanos quando aos babuínos. A consciência e a tentativa de dela escapar andam juntas. O uso de drogas é uma atividade primordial animal. Entre os humanos, existe desde tempos imemoriais e é quase universal. O que então explica a “guerra às drogas”?
Proibir as drogas torna seu comércio fabulosamente lucrativo. Gera crimes e aumenta consideravelmente a população nas prisões. A despeito disso, existe uma pandemia de drogas de alcance mundial. A proibição às drogas falhou. Por que então nenhum governo contemporâneo as legalizará?

Trecho do livro Cachorros de Palha.

Cachorros de Palha [13]



Animais morrendo
Uma das poucas afirmações, feita por um escritor europeu, de que a morte dos humanos não é diferente da de outros animais aparece sob a autoria de Bernardo Soares.
“ Se considero com atenção a vida que os homens vivem, nada encontro nela que a diferencie da vida que vivem os animais. Uns e outros são lançados inconscientemente através das coisas e do mundo; uns e outros se entretêm com intervalos; uns e outros percorrem diariamente o mesmo percurso orgânico; uns e outros não pensam para além do que pensam, nem vivem para além do que vivem. O gato espoja-se ao sol e dorme ali. O homem espoja-se à vida, com todas as suas complexidades, e dorme ali. Nem um nem outro se liberta da lei fatal de ser como é.”
“Bernardo Soares” foi uma das muitas identidades imaginadas e assumidas pelo grande escritor português Fernando Pessoa. Algumas verdades não podem ser ditas senão como ficção.


Trecho do livro Cachorros de Palha.

01 setembro 2011

Choro vira estratégia de político suspeito de corrupção

Enxotados pelo Eike




Terminou em expulsão pela polícia as mais de nove horas de protesto do Greenpeace na sede da petroleira OGX, no Rio de Janeiro. Às 19h20 da noite do dia 31 de agosto, os dezoito ativistas que desde as 10h da manhã resistiam à tropa de choque e aos seguranças do bilionário Eike Batista em protesto pacífico contra exploração de petróleo em Abrolhos foram retirados à força. Eles foram impedidos de receber àgua e comida e tiveram a luz do prédio cortada. 

Quinze ativistas fantasiados de baleias e outros três travestidos de funcionários da OGX, com borrifadores de óleo falso. Este era o time do Greenpeace. Do outro lado, dezenas de seguranças e uma tropa da polícia altamente armada, preparados para o confronto. 



No interior do prédio, onde ocorria o protesto totalmente pacífico, a imprensa foi impedida de entrar e plásticos pretos colocados pelos funcionários tapavam a visão de quem desde cedo lotava as calçadas da entrada do edifício, no centro do Rio de Janeiro. Acorrentados nas catracas de acesso aos elevadores,  os manifestantes aguardaram a presença de Eike Batista, dono da empresa, e resistiram por horas à violência desmedida dos leões-de-chácara do bilionário. 

O objetivo da manifestação era simples e claro: obter resposta a um pedido de fim de exploração em uma área altamente prioritária para a conservação marinha brasileira. Mas, passadas três horas de protesto, a empresa dignou-se apenas a divulgar uma posição vaga. Em carta, alegou que a localização dos blocos na região dos Abrolhos não oferecia riscos, algo que nenhuma empresa ou orgão científico pode garantir. 




Não satisfeitos com a falta de respeito e seriedade que a situação exigia, os manifestantes se desvencilharam em direção aos elevadores.  Foram recepcionados pela tropa de choque da polícia com agressões e pancadaria. Seguiu-se mais um longo período de espera, desta vez impedidos de beber água ou ingerir qualquer alimento. Após às 18h, foram deixados no escuro.

Pouco antes das 19h da noite, a polícia ganhou reforços e fechou o quarteirão próximo à Rua do Passeio, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, em frente à Praça Mahatma Ghandi. Por volta das 19h20, os ativistas tiveram as correntes que os prendiam cortadas e foram arrastados pela polícia para dentro de um camburão em direção à delegacia.  Com eles foram levados a fotógrafa e o cinegrafista  que permaneceram todo o tempo junto aos manifestantes par
a garantir a sua segurança.

“Viemos em busca de resposta a um pedido feito à OGX em carta pelo Greenpeace e via email por mais de 14 mil ciberativistas, que foi sumariamente ignorado pela empresa”, disse Leandra Gonçalves, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Ao invés de sermos recepcionados com um posicionamento concreto sobre o tema, recebemos uma resposta inócua e fomos alvos de reação truculenta”, critica.

A OGX foi uma das dez empresas que receberam cartas do Greenpeace explicando a necessidade de estabelecer uma moratória da exploração de óleo e gás em Abrolhos. O descaso de Eike Batista com a região, considerada a maior biodiversidade do Atlântico Sul, contrasta com a imagem de sustentabilidade que a empresa tenta passar ao público.

“Eike Batista tenta se mostrar um empresário  moderno e alinhado com os interesses dos nossos tempos, mas isto não passa de jogada de marketing. Quando confrontado em seus interesses em prol da segurança e da preservação , ele reage com violência”, conclui Gonçalves.

A empresa é a segunda a receber o Greenpeace em sua porta. Ontem, a franco-britânica Perenco, sócia da OGX em sua garimpagem de petróleo no mar de Abrolhos, foi surpreendida por um confronto entre “baleias” e “petroleiros” na entrada de sua sede, no Rio. As baleias tentaram falar com representantes da Perenco, mas os petroleiros as impediram com jatos de óleo.

O petróleo de Abrolhos
O Greenpeace pede o estabelecimento de uma moratória da exploração de gás e petróleo por 20 anos em uma zona de 93 mil quilômetros quadrados na região de Abrolhos. Segundo recentes estudos científicos, esta área é o limite mínimo para evitar que acidentes de qualquer tipo contaminem a biodiversidade da região.
A área de moratória afeta treze blocos de exploração de petróleo atualmente concedidas a dez empresas nacionais e estrangeiras: Perenco, Petrobras, Shell, Vale, OGX, Cowan, Sonangol, Vipetro, HRT e Repsol.
A proposta é uma tentativa de barrar o avanço da exploração petrolífera no entorno de Abrolhos. Ano passado, o governo derrubou uma liminar do Ministério Público Federal, de 2003, que impedia a ANP (Agência Nacional de Petróleo) de licitar blocos num raio de 50 km do Parque Nacional.
Lar de mais de 1.300 espécies de aves, tartarugas, peixes e mamíferos marinhos — dentre as quais, 45 em risco de extinção — Abrolhos é a região de maior biodiversidade da região sul do Atlântico. Seus recifes de corais, os maiores e mais exuberantes do Brasil, e seus extensos manguezais contribuem para fazer desta a zona mais importante de pesca no Estado da Bahia.
Saiba mais sobre a campanha:Veja o site da campanha e assine a petição: www.greenpeace.org.br/abrolhos
Petição online: www.deixeasbaleiasnamorarem.com.br
Facebook: http://goo.gl/cx3lI
Twitter: @greenpeaceBR @coralcerebro
Youtube: http://www.youtube.com/user/greenbr

Começou torto


E se faz o povo de palhaço.


A história se repete. Hoje, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC), na condição de relator do projeto de lei que muda o Código Florestal na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cometeu os mesmos erros vistos na Câmara dos Deputados no primeiro semestre.
Em vez de se ater apenas à avaliação da constitucionalidade do texto que veio da Câmara – o papel que lhe cabe nessa comissão –, Luiz Henrique mexeu em seu conteúdo. “O senador modificou diversos artigos do texto. A principal mudança foi no artigo 33, onde ele deixa claro o seu desejo de transferir aos Estados o poder de decidir sobre o que é certo e o que é errado na legislação florestal”, afirma Marcio Astrini, da campanha da Amazônia do Greenpeace.
O senador deveria respeitar o fato de que o mérito da questão é tema para as demais comissões por onde o texto passa, duas das quais o próprio senador catarinense é também relator. Mas preferiu ignorar esse fato ao ler seu relatório na CCJ.
O mérito é avaliado nas outras comissões por um bom motivo: para que haja tempo de se realizarem as audiências públicas. Pular essa etapa é desconsiderar o que a sociedade tem a dizer sobre o tema.
O melhor exemplo do erro se encontra na pressa do senador em apresentar seu relatório duas semanas antes de acontecer uma audiência com juristas sobre o Código Florestal no Senado, marcada para o dia 13 de setembro. “O relator, ao ler seu parecer hoje, descarta em seu texto as contribuições que renomados juristas apresentarão daqui a duas semanas” afirma Marcio Astrini, da campanha da Amazônia do Greenpeace.
No primeiro semestre, quando o projeto de lei estava em discussão na Câmara dos Deputados, o processo de reforma da legislação foi acelerado para atender aos anseios dos ruralistas: enfraquecer a proteção ambiental, anistiar todo mundo que desmatou ilegalmente e abrir brecha para mais desmatamento – isso permanece igual no relatório da CCJ.
Tinha voz quem estava do lado dos ruralistas. O restante da sociedade foi alijado de participação na modificação de uma lei que é para todos os brasileiros. A tortuosidade foi bancada pela própria base aliada – nela o PMDB do senador Luiz Henrique e do vice-presidente, Michel Temer – que aprovou em plenário um texto que a presidente Dilma vê como danoso para o Brasil.
Ela tem razão. Se aprovado do jeito que saiu da Câmara, o novo Código Florestal colocará em risco os compromissos assumidos pelo país na proteção ambiental e na redução de emissão de gases-estufa, já que o desmatamento e as queimadas colocam o Brasil entre os que mais contribuem para as mudanças climáticas, e manchará a imagem nacional. “Luiz Henrique, como representante do PMDB, partido da base aliada e do vice-presidente, deveria ajudar a presidente a honrar as promessas que fez aos eleitores na campanha, que é proteger o patrimônio ambiental nacional”, diz Astrini.
Leia mais sobre o Código Florestal.
Fonte: Greenpeace

31 agosto 2011

Deixe as baleias namorarem


Uma sombra paira sobre os Abrolhos, um imenso banco de coral que dá ao Brasil a honraria de deter, em suas águas territoriais, a mais importante zona de biodiversidade em todo o Atlântico Sul.
Abrolhos, localizado no litoral baiano, é tão relevante, inclusive para a economia pesqueira do Nordeste, que foi lá que o país criou o seu primeiro parque nacional marinho. Isso aconteceu em 1983. De lá para cá, tantas outras coisas aconteceram em Abrolhos, mas nada tão perigoso quanto o que está para acontecer: Abrolhos está muito perto de virar uma zona de exploração de petróleo.
Qualquer acidente pode ser fatal para a exuberante natureza que faz daquela área o seu habitat. Nela, vivem corais que chegam aos mais de 7 mil anos de idade e 1300 espécies, incluindo tartarugas, peixes e aves. Quarenta e cinco delas já estão ameaçadas de extinção.
Entre os frequentadores mais ilustres de Abrolhos estão as baleias jubarte que, vindas da Antártida, todos os meses de julho e agosto, usam as suas águas límpidas, como temperatura média de 24 graus, como uma espécie de suíte nupcial e berçário. É lá que elas se reproduzem e amamentam seus filhotes.
Esse ciclo reprodutivo das jubarte está em rota de risco desde que Abrolhos entrou na alça de mira da indústria do petróleo. O governo já licitou para dez empresas 13 blocos de exploração na região. Um acidente como o do Golfo do México pode ser fatal para a natureza e colocar fim ao turismo e a pesca na região, atividades responsáveis pela sobrevivência de mais de 80 mil pessoas.
É por isso que o Greenpeace Brasil pede ao governo e às empresas uma moratória de 20 anos na exploração de gás e petróleo em Abrolhos. Se você também acha que Abrolhos, pela sua importância como bem natural do país, deve ficar fora dos planos de exploração de petróleo, participe do abaixo-assinado. Ele será entregue aos principais dirigentes das empresas petrolíferas e representantes do governo.

Second Hand


Second Hand from Isaac King on Vimeo.

Fonte: Blog do Tas