06 junho 2013

Um dia que não existiu


A presidente Dilma e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, tentaram montar um circo para transformar notícias velhas em propaganda do governo. É como se o Dia Mundial do Meio Ambiente não existisse para elas. E, se levarmos em considerações as últimas ações e falas desse governo, ela não existe mesmo.
Elas mostraram - de novo - uma queda histórica no desmatamento da Amazônia, que deve ser comemorada, mas que reflete uma situação atrasada (4.571 km2 entre agosto de 2011 e julho de 2012). Desde então, sinais de aumento do desmatamento surgem a toda hora, inclusive vindos do próprio governo por meio de seu sistema Deter. Sobre isso, ninguém falou nada.
Dilma discursou sobre planos estruturantes para a Amazônia que unam combate à derrubada a ações de estímulo ao desenvolvimento preservando a floresta. A fala cheira a ilusão para quem acompanha as últimas notícias da região: indígenas com direitos contestados; o Ibama com poder de fiscalização desidratado; um Código Florestal que beneficia e premia quem passa o trator sobre a floresta; projetos de infraestrutura, notadamente grandes hidrelétricas, planejadas e construídas sem que premissas socioambientais sejam seguidas.
"Até alguns anos atrás, o Planalto usava o Dia Mundial do Meio Ambiente para dar boas notícias concretas, como demarcação de novas unidades de conservação e políticas de apoio a terras indígenas e ao desenvolvimento sustentável. Mas o que vimos hoje foi o governo agindo fora do contexto real do campo, como se estivesse num mundo de Alice, do outro lado do espelho, em que a realidade é distorcida", afirma Renata Camargo, assessora política do Greenpeace. 
"Os brasileiros esperam e merecem mais. É possível acabar com o desmatamento, controlar a emissão de gases-estufa, acabar com a violência e o trabalho escravo no campo e crescer com respeito ao ambiente."
Por fora, bela viola
O Planalto também tentou usar a Política Nacional de Mudanças do Clima, feito para controlar as emissões brasileiras de gases-estufa, para inflar o evento. O governo anunciou a divulgação de cinco planos setoriais que, na prática, deveriam ter sido anunciados há quase um ano.
"O governo tentou dourar a pílula do aumento de emissões de gases-estufa em alguns setores comemorando uma queda geral, e usou cálculos áridos da política para esconder o tamanho do desafio", afirmou Camargo. A verdade é que as emissões gerais caíram porque o desmatamento na Amazônia caiu, e metas estabelecidas para o desmatamento do Cerrado, por exemplo, foram construídas de forma a serem facilmente atingidas. 
Divulgando a estimativa de emissões referente ao período de 2005 a 2010, há um dado de alerta: apesar da queda do desmatamento, as emissões dos demais setores estão em crescimento. O setor de energia, por exemplo, aumentou em 21,5% as emissões no período referido. O aumento do uso do petróleo, especialmente no setor de transporte, e a volta de fontes sujas de energia como o carvão nos leilões elétricos indicam que esse aumento só está começando.
Dilma ainda tentou criar um falso dilema, mostrando térmicas e hidrelétricas com grandes barragens como as únicas fontes possíveis de geração de energia no futuro. Esqueceu de propósito o potencial inexplorado no país de fontes solar, eólica e da biomassa.
O Brasil tem a chance de realmente dar o exemplo para o mundo não só voltado para o passado. Há, no entanto, uma preferência em fechar os olhos e criar um conto de fadas, em vez de enfrentar abertamente o desafio de crescer preservando o ambiente. É preciso respeitar os direitos humanos, os povos indígenas, as comunidades tradicionais, ao mesmo tempo em que se busca a conservação das florestas e o controle do aquecimento global.
O Greenpeace e outras organizações apoiam a campanha pelo desmatamento zero. Se quiser saber mais e participar, entre em www.ligadasflorestas.org.br.
Fonte: GreenPeace

02 junho 2013

Brasileiros são um bando de maria-vai-com-as-outras



A explicação para o excesso de reclamação e para a falta de reação já virou estudo aqui no Brasil. O resultado não apresentou nenhuma novidade: O brasileiro não tem o hábito de protestar no cotidiano. A corrupção dos políticos, o aumento de impostos, o descaso nos hospitais, as filas imensas nos bancos e a violência diária só levam a população às ruas em circunstâncias excepcionais. Por que isso acontece? A resposta a tanta passividade pode estar em um estudo de Fábio Iglesias, doutor em Psicologia e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ele, o brasileiro é protagonista do fenômeno “ignorância pluralística”, termo cunhado pela primeira vez em 1924 pelo americano Floyd Alport, pioneiro da psicologia social moderna.

“Esse comportamento ocorre quando um cidadão age de acordo com aquilo que os outros pensam, e não por aquilo que ele acha correto fazer. Essas pessoas pensam assim: se o outro não faz, por que eu vou fazer?”, diz Iglesias. O problema é que, se ninguém diz nada e conseqüentemente nada é feito, o desejo coletivo é sufocado. O brasileiro, de acordo com Iglesias, tem necessidade de pertencer a um grupo. “Ele não fala sobre si mesmo sem falar do grupo a que pertence.”

Iglesias começou sua pesquisa com filas de espera. Ele observou as reações das pessoas em bancos, cinemas e restaurantes. Quando alguém fura a fila, a maioria finge que não vê. O comportamento-padrão é cordial e pacífico. Durante dois meses, ele analisou o pico do almoço num restaurante coletivo de Brasília. Houve 57 “furadas de fila”. “Entravam como quem não quer nada, falando ao celular ou cumprimentando alguém. A reação das pessoas era olhar para o teto, fugir do olhar dos outros”, afirma. O aeroviário carioca Sandro Leal, de 29 anos, admite que não reage quando vê alguém furar a fila no banco. “Fico esperando que alguém faça alguma coisa. Ninguém quer bancar o chato”, diz.

Iglesias dá outro exemplo comum de ignorância pluralística: “Quando, na sala de aula, o professor pergunta se todos entenderam, é raro alguém levantar a mão dizendo que está com dúvidas”, afirma. Ninguém quer se destacar, ocorrendo o que se chama “difusão da responsabilidade”, o que leva à inércia.

Mesmo quem sofre uma série de prejuízos não abre a boca. É o caso da professora carioca Maria Luzia Boulier, de 58 anos. Ela já comprou uma enciclopédia em que faltava um volume; pagou compras no cartão de crédito que jamais fez; e adquiriu, pela internet, uma esteira ergométrica defeituosa. Maria Luzia reclamou apenas neste último caso. Durante alguns dias, ligou para a empresa. Não obteve resposta. Foi ao Procon, mas, depois de uma espera de 40 minutos, desistiu de dar queixa. “Sou preguiçosa. Sei que na maioria das vezes reclamar não adianta nada”, afirma.
O “não-vai-dar-em-na-da” é um discurso comum entre os “não-reclamantes”. O estudante de Artes Plásticas Solano Guedes, de 25 anos, diz que evita se envolver em qualquer situação pública. “Sou omisso, sim, como todo brasileiro. Já vi brigas na rua, gente tentando arrombar carro. Mas nunca denuncio. É uma mistura de medo e falta de credibilidade nas autoridades”, afirma.

A apatia diante de um escândalo público também é freqüente no Brasil. Nas décadas de 80 e 90, o contador brasiliense Honório Bispo saiu às ruas para lutar pelas Diretas Já e pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Caso que apenas se concretizou pelo massivo uso da imprensa. Estudiosos acreditam que o Impeachment nunca aconteceria se a mídia não colocasse no ar o ataque massivo ao presidente: 10 das 24 horas de programação das emissoras nas semanas anteriores ao ato divulgavam a  ideia das Diretas Já e Impeachment.

O estudo da UnB constatou que a “cultura do silêncio” também acontece em outros países. “Portugal, Espanha e parte da Itália são coletivistas como o Brasil”, afirma o psicólogo. Em nações mais individualistas, como em certos países europeus e a vizinha Argentina, o que conta é o que cada um pensa. “As ações são baseadas na auto-referência”, diz o estudo. Nos centros de Buenos Aires e Paris, é comum ver marchas e protestos diários dos moradores. A mídia pode agir como um desencadeador de reclamações, principalmente nas situações de política pública. “Se o cidadão vê na mídia o que ele tem vontade de falar, conclui que não está isolado”, afirma o pesquisador.

O antropólogo Roberto DaMatta diz que não se pode dissociar o comportamento omisso dos brasileiros da prática do “jeitinho”. Para ele, o fato de o povo não lutar por seus direitos, em maior ou menor grau, também pode ser explicado pelas pequenas infrações que a maioria comete no dia-a-dia. “Molhar a mão” do guarda para fugir da multa, estacionar nas vagas para deficientes ou driblar o engarrafamento ao usar o acostamento das estradas são práticas comuns e fazem o brasileiro achar que não tem moral para reclamar do político corrupto. “Existe um elo entre todos esses comportamentos. Uma sociedade de rabo preso não pode ser uma sociedade de protesto”, diz o antropólogo.

O sociólogo Pedro Demo, autor do livro Cidadania Pequena s (ed. Autores Associados), diz que há baixíssimos índices de organização da sociedade civil – decorrentes, em boa parte, dos também baixos índices educacionais. Em seu livro, que tem base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o sociólogo conclui que o brasileiro até se mobiliza em algumas questões, mas não dá continuidade a elas e não vê a importância de se aprofundar. Um exemplo é o racionamento de energia ocorrido há doze anos: rapidamente as pessoas compreenderam a necessidade de economizar. Passada a urgência, não se importaram com as razões que levaram à crise. Para o sociólogo, além de toda a conjuntura atual, há o fator histórico: a colonização portuguesa voltada para a exploração e a independência declarada de cima para baixo, por dom Pedro I, príncipe regente da metrópole. “Historicamente aprendemos a esperar que a decisão venha de fora. Ainda nos falta a noção do bem comum. Acredito que, ao longo do tempo, não tivemos lutas suficientes para formá-la”, diz Demo.

A historiadora e cientista política Isabel Lustosa, autora da biografia Dom Pedro I, um Herói sem Nenhum Caráter (ed. Companhia das Letras), acredita que os brasileiros reclamam  mas têm dificuldades de levar adiante esses protestos sob a forma de organizações civis. “Nas filas ou mesas de bar, as pessoas estão falando mal dos políticos. As seções de leitores de jornais e revistas estão repletas de cartas de protesto. Mas existe uma espécie de fadiga em relação aos resultados das reclamações, especialmente no que diz respeito à política.” Segundo Isabel, quem mais sofre com a falta de condições para reclamar é a população de baixa renda. Diante da deterioração dos serviços de educação e saúde, o povo fica sem voz. “Esses serviços estão pulverizados. Seus usuários não moram em suas cercanias. A possibilidade de mobilização também se pulveriza”, diz.

Apesar das explicações diversas sobre o comportamento passivo dos brasileiros, os estudiosos concordam num ponto: nas filas de espera, nos direitos do consumidor ou na fiscalização da democracia, é preciso agir individualmente e de acordo com a própria consciência. “Isso evita a chamada espiral do silêncio”, diz o pesquisador Iglesias. O primeiro passo para a mudança é abrir a boca.

Fonte: Ah duvido

28 maio 2013

If (Se)



If I were a swan, I'd be gone
If I were a train, I'd be late
And if I were a good man,
I'd talk with you more often than I do
If I were to sleep, I could dream
If I were afraid, I could hide
If I go insane, please don't put
Your wires in my brain
If I were the moon, I'd be cool
If I were a rule, I would bend
If I were a good man, I'd understand
The spaces between friends
If I were alone, I would cry
And if I were with you, I'd be home and dry
And if I go insane,
Will you still let me join in the game?
If I were a swan, I'd be gone
If I were a train, I'd be late again
If I were a good man,
I'd talk with you more often than I do


Tradução

20 maio 2013

Como é fácil enganar os fiéis



Alguns trechos que vale a pena destacar:

-"...se você não tem fé pra Deus curar, você tem que oferecer um sacrifício de compensação da sua fé, um sacrifício à Deus. E você vai dar uma oferta agora ao Senhor, pra Deus abençoar a sua vida."

-"A religião tem um potencial diabólico, escravizador, e que é um campo pra oportunista mal caráter."

-"Esse mecanismo religioso é um instrumento de manipulação, especialmente das pessoas que sofrem, especialmente das pessoas que estão abatidas pelo peso da sua culpa."

-"...sobrevivem de um mecanismo de exploração da culpa, do medo e da ganância."

19 maio 2013

Dicionário de crianças colombianas surpreende adultos



São definições cheia de poesia e sabedoria, apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo.
Vão desde A de adulto ("Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si", segundo Andrés Felipe Bedoya, de 8 anos), até V de violência ("A parte ruim da paz", na definição de Sara Martínez, de 7 anos).
O dicionário está no livro "Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças", uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no final do mês de abril. A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano.

"Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas", disse à BBC Mundo Javier Naranjo, que compilou as definições feitas por crianças colombianas.
"Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos", diz.
É assim que, no peculiar dicionário, a água é uma "transparência que se pode tomar", um camponês "não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos" e a Colômbia é "uma partida de futebol".
Além disso, uma das definições de Deus passa a ser "o amor com cabelo grande e poderes", a escuridão "é como o frescor da noite" e a solidão é a "tristeza que a pessoa tem às vezes".


'Outra visão do mundo'



As definições - quase 500, para um total de 133 palavras diferentes - foram compiladas durante um período "entre oito e dez anos", enquanto Naranjo trabalhava como professor em escolas rurais do  leste do país.
"Na criação literária fazíamos jogos de palavras, inventávamos histórias. E a gênese do livro é um dos exercícios que fazíamos", conta ele, que agora é diretor da biblioteca e centro comunitário rural Laboratório do Espírito.
Ele diz que teve a ideia de pedir aos alunos uma definição do que era uma criança, em uma comemoração do dia das crianças.
"Me lembro de uma definição que era: 'uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo'. Eu adorei, me pareceu perfeita."
"As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum", afirma Naranjo.
No dicionário aparecem temas do cotidiano da Colômbia, como guerra e "desplazado", pessoa que se desloca pelo país, geralmente fugindo de conflitos. Um dos alunos definiu a palavra criança como "um prejudicado pela violência".


Aprender a escutar



Para a publicação, Naranjo corrigiu a pontuação e a ortografia das definições escolhidas, mas afirma não ter tirado nenhuma das palavras por "questões ideológicas".
Por isso, o livro mantém a voz das crianças, com suas formas de explicar as coisas e construções gramaticais particulares. Bianca Yuli Henao, de 10 anos, define tranquilidade como "por exemplo quando seu pai diz que vai te bater e depois diz que não vai".
O ex-professor diz que o respeito à voz das crianças também é parte do sucesso do livro, que foi reeditado em 2005 e 2009 e inspirou obras semelhantes no México e na Venezuela.
As vendas do livro ajudaram a financiar as atividades da biblioteca atualmente dirigida por Naranjo, que continua convidando as crianças a deixar a imaginação voar com outras dinâmicas.
"Nós adultos somos condescendentes quando falamos com as crianças e deve ser o contrário. Mais que nos abaixarmos temos que ficar na altura deles. Estar à altura deles é nos inclinarmos para olhar as crianças nos olhos e falar com elas cara a cara. Escutar suas dúvidas, seus medos e seus desejos", diz.

Alguns exemplos

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)
Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)
Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)
Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)
Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)
Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)
Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)
Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)
Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)
Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)
Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)
Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)
Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)
Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)
Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)
Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)
Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)
Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)
Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)
Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos) 

Fonte: livro "Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças", de Javier Naranjo
Fonte: UOL

15 maio 2013

Três décadas vistas do espaço

Lago Úrmia

No início de maio de 2013 o Google disponibilizou, em parceria com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a NASA e a revista TIME, uma compilação interativa de imagens feitas por satélite nos últimos 29 anos. Através desta incrível viagem pelo passado recente de nosso planeta, podemos ver como a intervenção do ser humano alterou a paisagem e marcou a superfície da Terra.

Para demonstrar as possibilidades do projeto, o Google preparou algumas animações que mostram a passagem do tempo em algumas regiões do planeta. Além das ilhas artificiais na costa de Dubai e do lento desaparecimento do Lago Úrmia, no Irã, ((o))eco preparou mais algumas animações com foco no Brasil, que você pode ver logo a seguir. Aguarde um pouco para que as animações carreguem completamente.

Experimente também navegar pelas imagens. Procure a sua cidade, seu estado, ou alguma região de seu interesse e veja com seus próprios olhos as mudanças que o planeta sofreu nas últimas três décadas.


Pará

Fonte: O Eco

13 maio 2013

Carro feito no Brasil é 'mortal', segundo agência de notícias americana




O jornal americano The New York Times publicou em seu site ampla reportagem da agência Associated Press intitulada "Carros feitos no Brasil são mortais".

A reportagem afirma que os veículos produzidos no País são feitos com soldas mais fracas, poucos itens de segurança e materiais de qualidade bem inferior aos dos fabricados nos Estados Unidos e na Europa
“O que acontece quando esses veículos vão para as ruas está se transformando numa tragédia nacional”, afirma a reportagem. A Associated Press é uma das agências de notícias mais antigas do mundo, fundada em 1846. Ela fornece noticiário para mais de 1,7 mil jornais e cinco mil emissoras de rádio e TV.

A alta taxa de mortalidade no trânsito no Brasil seria quatro vezes superior à americana, resultado da fragilidade dos modelos brasileiros. O artigo aponta que de cada cinco carros analisados no País, quatro não passariam em testes de colisão feitos por empresas independentes.

Em resposta ao polêmico artigo, as montadoras declararam que os automóveis brasileiros respeitam normas de segurança vigentes no Brasil. O número de mortes de motoristas e passageiros é atribuído por elas à má conservação de ruas e estradas.

Enquanto nos Estados Unidos a margem de lucro para as montadoras automotivas é de meros 3%, no Brasil seria de 10%, segundo o artigo. A diferença viria da economia com a qualidade dos produtos.

Outro número levantado chama à atenção: da última década para esta, subiu em 72% o volume de mortes no trânsito do Brasil. O artigo relaciona esse dado ao boom da classe média brasileira.

Em dez anos, 40 milhões de pessoas ascenderam das classes D e E à classe C. Nessas condições, a quantidade de gente comprando o primeiro automóvel aumentou. Assim, com mais motoristas de carros inseguros nas ruas, as mortes tendem a ser cada vez mais frequentes.

A reportagem da Associated Press ouviu Alexandre Cordeiro, representante do governo brasileiro, que admitiu a falta de equipamento de testes de impacto (crash-test) no governo federal e a necessidade de aperfeiçoamento da legislação relativa à segurança veicular.

Fonte: Estadão

03 maio 2013

Foto mostra desolação de coala diante de floresta destruída por madeireira


Acompanhado da Wires, uma operação de resgate a animais promovida pela NSW National Parks and Wildlife Service da Austrália, um voluntário flagrou a desolação de um coala ao perceber que seu habitat havia sido destruído.
A imagem mostra o solitário bichinho cercado por uma floresta em Nova Gales do Sul inteiramente destruída após a ação de uma madeireira local.
Fotos: Divulgação/Wires

01 maio 2013

Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de qualidade de educação



O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores.
A pesquisa foi encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países.
Em primeiro lugar está a Finlândia, seguida da Coreia do Sul e de Hong Kong.
Os 40 países foram divididos em cinco grandes grupos de acordo com os resultados. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição.
Os resultados foram compilados a partir de notas de testes efetuados por estudantes desses países entre 2006 e 2010. Além disso, critérios como a quantidade de alunos que ingressam na universidade também foram empregados.
Para Michael Barber, consultor-chefe da Pearson, as nações que figuram no topo da lista valorizam seus professores e colocam em prática uma cultura de boa educação.
Ele diz que no passado muitos países temiam os rankings internacionais de comparação e que alguns líderes se preocupavam mais com o impacto negativo das pesquisas na mídia, deixando de lado a oportunidade de introduzir novas políticas a partir dos resultados.
Dez anos atrás, no entanto, quando pesquisas do tipo começaram a ser divulgadas sistematicamente, esta cultura mudou, avalia Barber.
"A Alemanha, por exemplo, se viu muito mais abaixo nos primeiros rankings Pisa [sistema de avaliação europeu] do que esperava. O resultado foi um profundo debate nacional sobre o sistema educacional, sérias análises das falhas e aí políticas novas em resposta aos desafios que foram identificados. Uma década depois, o progresso da Alemanha rumo ao topo dos rankings é visível para todos".
No ranking da EIU-Person, por exemplo, os alemães figuram em 15º lugar. Em comparação, a Grã-Bretanha fica em 6º, seguida da Holanda, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, Irlanda, Dinamarca, Austrália e Polônia.

Cultura e impactos econômicos

Tidas como "super potências" da educação, a Finlândia e a Coreia do Sul dominam o ranking, e na sequência figura uma lista de destaques asiáticos, como Hong Kong, Japão e Cingapura.
Alemanha, Estados Unidos e França estão em grupo intermediário, e Brasil, México e Indonésia integram os mais baixos.
O ranking é baseado em testes efetuados em áreas como matemática, ciências e habilidades linguísticas a cada três ou quatro anos, e por isso apresentam um cenário com um atraso estatístico frente à realidade atual.
Mas o objetivo é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas nações, e criar um banco de dados que a Pearson chama de "Curva do Aprendizado".
Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira "cultura" nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo.
Daí o alto desempenho das nações asiáticas no ranking.
Nesses países o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas.
Comparando a Finlândia e a Coreia do Sul, por exemplo, vê-se enormes diferenças entre os dois países, mas um "valor moral" concedido à educação muito parecido.
O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade, a necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e o pagamento de bons salários.
Há ainda menções às consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho, sobretudo em uma economia globalizada baseada em habilidades profissionais.

Ranking Pearson-EIU

  1. Finlândia
  2. Coreia do Sul
  3. Hong Kong
  4. Japão
  5. Cingapura
  6. Grã-Bretanha
  7. Holanda
  8. Nova Zelândia
  9. Suíça
  10. Canadá
  11. Irlanda
  12. Dinamarca
  13. Austrália
  14. Polônia
  15. Alemanha
  16. Bélgica
  17. Estados Unidos
  18. Hungria
  19. Eslováquia
  20. Rússia
  21. Suécia
  22. República Tcheca
  23. Áustria
  24. Itália
  25. França
  26. Noruega
  27. Portugal
  28. Espanha
  29. Israel
  30. Bulgária
  31. Grécia
  32. Romênia
  33. Chile
  34. Turquia
  35. Argentina
  36. Colômbia
  37. Tailândia
  38. México
  39. Brasil
  40. Indonésia

Fonte: BBC



28 abril 2013

O golpe dos condenados



Enquanto todos os olhares se voltam para o deputado pastor Marco Feliciano nos Direitos Humanos, na Comissão de Constituição e Justiça, os mensaleiros preparam um atentado à democracia e estimulam uma guerra entre o Judiciário e o Legislativo.
Mário Simas Filho
ISTOÉ Independente
Não houve alarde. Tudo aconteceu de forma sorrateira, com poucas testemunhas. Na quarta-feira 24, em votação simbólica, 20 deputados aprovaram, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), uma emenda constitucional que representa um golpe na democracia. A proposta, votada sem nenhum debate anterior, submete algumas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) ao Congresso, o que atenta contra uma cláusula pétrea da Constituição, que determina a independência e a harmonia entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O Brasil assistiu a um filme parecido em 1937, quando a Constituição assegurou ao presidente Getúlio Vargas o poder de cassar decisões do STF. Entre 1937 e 1945, o País passou por um dos períodos mais negros de sua história, conhecido como Estado Novo. Desta vez, a emenda golpista foi apresentada pelo deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), mas sua aprovação foi articulada por dois petistas condenados pelo STF no processo do mensalão: José Genoino e João Paulo Cunha.
“Houve um claro atropelo para que essa emenda fosse aprovada”, diz o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). Contrário à proposta, Vieira da Cunha apresentou um voto separado, mas foi surpreendido pelos colegas. “Normalmente, os projetos que tenham voto separado são retirados da pauta quando seus autores não estão presentes. Eu não estava na reunião e votaram.” “Isso que aprovaram é uma completa aberração, ofende a autonomia da mais alta corte do País”, afirma o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, que junto ao partido recorreu ao STF para que a votação na Comissão de Constituição e Justiça fosse considerada inconstitucional.
No Judiciário, a decisão dos 20 deputados foi encarada como uma afronta. “Rasgaram a Constituição. Se isso vier a ser aprovado, é melhor que se feche o Supremo”, dispara o ministro Gilmar Mendes. “Ressoa como uma retaliação”, define o ministro Marco Aurélio Mello, referindo-se a uma provável vingança dos parlamentares condenados no mensalão contra a suprema corte brasileira. Embora em novembro do ano passado tenha ocupado a tribuna da Câmara para se referir ao julgamento do mensalão como uma “conspiração do Judiciário contra o PT”, o autor da emenda nega que tenha agido para se vingar pela condenação de seus companheiros petistas. O deputado, no entanto, não esconde o fato de estar se movendo com o intuito de enfrentar o STF, um comportamento que coloca, sim, em risco a estabilidade democrática. “O Judiciário vem interferindo em decisões do Legislativo, há uma invasão de competências”, diz Fonteles, revelando o desejo de retaliação.
Na quinta-feira 25, com o objetivo de baixar a fervura, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), encontrou uma maneira de impedir que a proposta golpista avançasse. Ele decidiu não instalar uma comissão especial que deveria ser a instância imediatamente seguinte à da Constituição e Justiça, para o trâmite da emenda. “A aprovação da CCJ foi inusitada. Surpreendeu a todos e pode abalar a harmonia entre o Legislativo e o Judiciário”, afirmou Alves. O empenho do presidente da Câmara, porém, não conseguiu acalmar os ânimos. Na tarde da quinta-feira 25, quando o líder do PT, José Guimarães, e o vice-presidente do STF, Ricardo Lewandowski, buscavam um discurso de aproximação – o primeiro dizendo que a proposta não refletia a posição do partido e o segundo dizendo que não havia desarmonia entre os poderes –, coube ao presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), novamente jogar álcool na fogueira.
“Não vamos permitir que o Judiciário influa nas decisões do Legislativo, temos que zelar pela nossa competência”, disse o presidente do Congresso, referindo-se a uma liminar concedida na véspera pelo ministro Gilmar Mendes, suspendendo temporariamente a tramitação de um projeto de lei que dificulta a criação de novos partidos. O projeto, que interessa ao governo e já foi aprovado pela Câmara, é visto como casuísta, pois impede que parlamentares que troquem de partido levem para a nova legenda o tempo de televisão e o reparte do Fundo Partidário. Com isso, partidos novos como o da ex-senadora Marina Silva e o MD de Roberto Freire seriam inviabilizados. A oposição recorreu ao STF e conquistou a liminar de Gilmar Mendes. Qualquer forma de intromissão entre os poderes é condenável, mas, no caso de dúvidas, as maiores democracias do planeta ensinam que cabe às supremas cortes a última palavra.

Fonte: Corrêa Neto


A cada 4 minutos

18 abril 2013

Ainda Feliciano?


Nem estou acreditando que volto ao assunto do pastor/deputado/presidente da CDHM. Mas, como muitos devem ter visto, ele mentiu reiterada e estridentemente sobre mim. Há um vídeo no YouTube [ver abaixo] em que Feliciano, esbravejando de modo descontrolado, diz-se com Deus contra o diabo e, para provar isso, mente e mente mais. 

As pessoas religiosas deveriam observar o quanto ele está dominado pela soberba. Faz pouco, ele se sentiu no direito de julgar os vivos e os mortos, explicando por meio de uma teologia grotesca a morte dos garotos dos Mamonas e sagrando-se justiçador de John Lennon.

Agora, aferra-se à mentira. Meu colega Wanderlino Nogueira notava, com ironia histórica sobre as espertezas da igreja católica, que a mentira não está entre os sete pecados capitais. Mas sabemos que “levantar falso testemunho” é condenado pelo Deus de Moisés.

 Por que mentir tão descaradamente sobre fatos conhecidos? Será que minha calma observação, aqui neste espaço, de que sua persona pública é inadequada ao cargo para o qual foi escolhido (matizada pela esperança no papel das igrejas evangélicas) o ameaça tão fortemente? Eu diria a pastores, padres, rabinos ou imãs — sem falar em pais de santo e médiuns espíritas, que são diretamente agredidos por ele — que atentassem para o comportamento de Feliciano: como pode falar em nome de Deus quem mente com tão evidente consciência de que está mentindo?

Sim, porque não há, dentre aqueles que prestam atenção no meu trabalho, quem não saiba que, ao cantar a genial canção de Peninha “Sozinho” num show, eu indefectivelmente dizia não apenas que me apaixonara por ela através das gravações de Sandra de Sá e de Tim Maia: eu afirmava que cantá-la ao violão era só um modo de chamar a atenção para aquelas gravações. Como pode Feliciano dizer que “a imprensa foi rastrear” e descobriu que a música já tinha sido gravada por Sandra e Tim? Essas duas gravações eram sucessos radiofônicos. E como pode ele, sem piedade daqueles que com tanta confiança o ouvem em seu templo, afirmar que eu disse em entrevista coisa que nunca disse e nunca diria, ou seja, que o êxito inesperado de minha versão de “Sozinho” se deveu a eu ter mostrado a faixa a Mãe Menininha e esta ter-lhe posto uma bênção que, para Feliciano, seria trabalho do diabo? Mãe Menininha, figura importante da história cultural brasileira, já tinha morrido fazia cerca de dez anos quando gravei a canção.

É muita loucura demais. E muita desonestidade. Aprendi com meu pai os gestos da honestidade — e tomei o ensinamento de modo radical. Me enoja ver a improbidade. Feliciano sabe que eu nunca dei tal entrevista. Mas não se peja de impressionar seus ouvintes gritando que eu o fiz. Ele, no entanto, não sabe que eu jamais sequer mostrei qualquer canção minha à famosa ialorixá. Nem a Nossa Senhora da Purificação eu peço sucesso na carreira. Nunca pedi. Nem a Deus, nem aos deuses, e muito menos ao diabo. Decepciono muitos amigos por não ser religioso. Mas respeito cada vez mais as religiões. Vejo mesmo no cristianismo algo fundamental do mundo moderno, algo inescapável, que é pano de fundo de nossas vidas. Mas não sou ligado a nenhuma instituição religiosa. Eu me dirigiria aqui àqueles que o são.

Os homens crentes devem tomar atitude mais séria em relação a episódios como esse. O que menos desejo é ver o Brasil dividido por uma polaridade idiota, em que, de um lado, se unem os que querem avanços nos costumes, e de outro, os que necessitam fundamentos de fé, ambos gritando mais do que o conveniente, e alguns, como Feliciano, saindo dos limites do respeito humano.

Eu preferiria dialogar com crentes honestos (ou ao menos lúcidos). Não aqueles que já se põem a uma distância segura da onda neopentecostal. Eu gostaria de dialogar com um Silas Malafaia, de quem tanto discordo, mas que respeita regras da retórica e da lógica. Marina Silva seria ideal, mas poupemo-la. Não é preocupante, eu perguntaria a alguém assim, que um dos seus minta de modo tão escancarado?

É fácil provar que nunca fiz aquelas declarações e é fácil provar que Sandra e Tim tiveram êxito com a obra-prima de Peninha. E que eu louvei esse êxito ao cantar a canção. Foram dezenas de milhares de brasileiros que ouviram.

Se Feliciano precisa, para afirmar sua postura religiosa, criar uma caricatura caluniosa dos baianos e da Bahia, algo é muito frágil em sua fé. A maré montante do evangelismo não dá direito à soberba irrefreada. O boneco tem pés de barro. E cairá. Eu creio na justiça e na verdade. Esses valores atribuídos a Deus têm minha adesão irrestrita. Não sei que Deus sustenta a injustiça e a mentira. Ou será que é aí que o diabo está?




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11 abril 2013

Almeidinha escreve a Feliciano

Dê uma chance à PAZ

Caro Feliciano,
Vou te confessar uma coisa. Por puro receio, nunca frequentei um culto evangélico. Nada contra, tenho até alguns amigos evangélicos, mas só de ver pastores como o senhor já coloco o cadeado no bolso e me vacino. Fora isso, sempre me dei bem com todo mundo. Tive, durante um tempo, um funcionário da firma que era crente. O apelido dele era Crente. Ele explicava, todo santo dia, que nem todo crente era evangélico, e que nem todo evangélico fazia sessão de descarrego. Nunca dei a mínima: sou católico, apostólico e paulistano, brinco com todos, faço piada igual: chamo os crentes de crentes, os católicos de papa-hóstia, os ateus de vagabundos, os brancos de branquelas e os negros de macacos. A maldade está no ouvido de quem ouve. Para mim, que não sei distinguir na mesma rua um papa Francisco de um Edir Macedo, o importante é não perder a esportiva.
Por isso tiro o chapéu para o senhor.
Tirando o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili, não é todo dia que vemos na tevê um sujeito de coragem dizer as verdades que doem mas precisam ser ditas.
Por exemplo: todo mundo sabe, só não tem coragem de dizer, que a África é um continente amaldiçoado. Minha cunhada, uma feminista lésbica incapaz de casar e procriar, como observa o mandamento, me esfregou, dia desses, o mapa africano e mostrou como tudo ali é linha reta, resultado do fatiamento acertado entre as potências colonialistas do século sei lá qual. Disse que, se eu quisesse entender os problemas da África, era melhor ler a história da Inglaterra, e não a Bíblia. Como se existisse Inglaterra no tempo de Noé – além de feminista e lésbica, minha cunhada é burra.
Deixa ela pra lá.
Em casa, comemoramos feito gol em Copa do Mundo a sua declaração sobre a ditadura gayzista – durante muito tempo achei que a autoria dessa frase era minha; não patenteei mas tomei posse por usucapião. Faça dela bom proveito.
Concordo com o senhor quando fala da podridão dos sentimentos dos homossexuais. Esses dias postei no Facebook duas mensagens. Uma delas, uma frase atribuída ao Arnaldo Jabor: “No Brasil, o homossexualismo (minha cunhada diz que “ismo” é errado, mas ela é intolerante até com a gramática) já foi proibido, tolerado e agora é aceito. Vou embora daqui antes que seja obrigatório”. Choro de rir só de reproduzir a frase. A outra é uma foto em defesa do senhor. Tinha a imagem de um bando se abraçando, mostrando a língua, as partes baixas e outros penduricalhos. A conclusão era: “para ter respeito é preciso, primeiro, se dar ao respeito”.
Esse é meu décimo primeiro mandamento.
Digo isso porque me preocupo com meus filhos. Daqui a pouco vai ser comum andar com eles na rua e encontrar marmanjo de barba beijando outro marmanjo sem uma única lampadazinha fosforescente para colocar pudor na bagunça. O senhor sabe como é: as crianças não têm filtro pra essas coisas. Não têm desejo próprio: se veem mulher beijando homem, logo saem beijando também. É automático. Se veem pássaro voando pelos fios de transmissão, logo sobem no poste, se atiram, se arrebentam. Se veem alguém cuspir no chão, cospem também. Se veem atropelamento, logo se enfiam debaixo dos caminhões. Logo, se virem homens beijando homens nas ruas, logo vão agarrar os amiguinhos. O senhor já pensou que fim será disso?
Por isso é preciso combater a ditadura da gayzice. Não é porque sou católico, apostólico e paulistano que não temos um objetivo em comum. Nossa Bíblia é a mesma. Mas, como sou observador atento da Palavra, devo dizer que ando em um dilema. Dias atrás, pinçaram no YouTube um vídeo em que o senhor diz exatamente o que eu disse aos meus filhos a vida toda. Que esse povo do meio artístico tem pacto com o Demo. E o maior exemplo disso foi o assassinato do John Lennon, aquele vagabundo que nunca pegou na enxada e vive dizendo que os Beatles eram mais populares do que Cristo. Pagou com a própria vida. Por isso eu digo para meus filhos: “não falem mal de Deus se não Deus te ferra”.
Fico feliz em saber que não sou o único a defender que a morte do sujeito, como a de tantos outros, foi um castigo divino. Imagina se Deus não intervém? Um sujeito que defendia um mundo sem conflito, o amor livre, que botava o dedo na cara dos chefes de Estado, que reunia multidões nas ruas pra dizer que a “guerra já era” e alertava que a vida era o que nos acontecia enquanto estávamos ocupados fazendo outros planos? Que mundo ele queria? Um mundo pacífico, cheio de cordeirinhos sem graça pulando felizes, pelados, cantando que a vida é bela, que tudo é lindo e que era melhor fazer amor do que fazer a guerra? Quem ia dar jeito nos comunistas do Vietnã? Quem ia combater a ditadura da gayzice? Como eu digo, Deus sabe o que faz. Santo Mark Chapman.
Quando a sua pregação foi parar no YouTube, eu mostrei para o meu filho caçula. Pra quê? Ele ficou aterrorizado. Agora anda com medo de ser alvejado na rua pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. Toda vez que se benze, fecha os olhos e espera o balaço. Disse que se receber um tiro para cada pecado que cometeu alguém lá de cima vai precisar de uma garrucha calibre 12. Eu achei até bom. Toda vez agora que o moleque faz arte eu mando baixar a cabeça que o céu vai descarregar o tiroteio. O bichinho se benze e se treme todo – pra tomar banho, agora só de sunga e em dois minutos. Até água economizei. Se alguém coloca Beatles perto dele, ele se borra. “Não quero morrer que nem o John Lennon”, ele repete.
Até aí tudo bem.
O problema foi que a professora, provavelmente outra feminista lésbica, soube dos desassossegos do menino, o chamou pra conversar e perguntou se ele conhecia os Dez Mandamentos. De cor, ele respondeu. “Então avisa o trouxa do seu pai, o trouxa daquele pastor, e qualquer trouxa que te vier com essa história de John Lennon de novo que pecado é usar o Santo Nome em vão para falar bobagens.”
Pra quê? Quando soube, rasguei os corredores da escola, empurrei a segurança, avisei que pagava mensalidade todo mês e ia fazer o que quisesse ali dentro. Falei um monte para a velha. E troquei o menino de escola.
Nessa vida, é bom saber com quem se anda. Se a professora não dá educação pro menino, quem vai ensinar o menino? É o que te pergunto: pra que pagamos tantos impostos, tantas mensalidades escolares? Para sustentar a ditadura da gayzice?
Só por cima do meu cadáver. Do nosso.
Siga firme nesta comissã antes dominada por Satanás. E que Deus nos proteja e siga alvejando os Johns Lennons desta vida.
Um abraço,
Almeidinha
Fonte: Carta Capital